A impressão que a vida dá é que o tempo vai nos atropelar qualquer dia desses. Vamos acordar na segunda, passar o dia e ir dormir assistindo o campeonato paulista, que deveria passar só na quarta. Haja talento para dar conta da vida, equilíbrio para dar conta da alma e tudo o que vem junto com ela. Mas onde foram parar as horas? Os minutos de paz? Para nossa frustração, eles estão dentro de nós, basta apenas acalmar o coração e procurar.
A gente vê o dia passar e vai junto, com nossas quinze pendências sobre trabalho, a conta que deixou de pagar e o trânsito que acaba ficando mais chato por causa do sol escaldante. E nós ainda queremos assistir a novela. Quase sempre fazemos tudo errado porque, sem querer é o que fazemos de melhor. No fim das contas, tentamos reparar os erros, retocar o blush e seguir em frente, porque ainda temos mais dez minutos antes daquele compromisso e quem sabe dá tempo de resolver alguma coisa. Falta tempo no relógio, sobram coisas que deixamos de fazer e nós ficamos aqui fazendo cara de comercial de margarina, ainda que não seja nada disso. Repetindo que vai dar certo, que vai dar tempo. Mas ainda tem aquele compromisso com as amigas, aquela ligação a retornar, a academia e a mania incessante de querer abraçar o mundo. Alguém que não dá conta nem do próprio armário devia ter consciência de suas limitações. A gente não tem nem tempo, vai lá ouvir o que a consciência diz? Mas deveria ir. Ela grita baixinho, coisas que às vezes a gente não gosta de ouvir.
O que eu aprendi nas inconstâncias do relógio (e da vida), é que pouco tempo, às vezes pode ser tempo demais. E muito tempo se perde facilmente. Então não há um equilíbrio? Na confusão desse mundo, das nossas vidas, idas e vindas, só há uma conclusão: é esperar para ver. Ou viver.

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