segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Vinte e dois.


Já ouvi dizer que em vinte e uma repetições a gente se acostuma. Nem setenta vão me fazer conformar com a vida como ela é. Eu quero mais, eu quero mudar, eu quero ser melhor. E às vésperas do seu aniversário, você entra naquela de o-que-estou-fazendo-aqui e quer acreditar que cresceu e evolui, ano após ano. Eu fico por aqui, procurando castelos e grandes feitos, ou realizações e... Nada. Continuo a mesma coisinha de sempre.

Minhas teorias continuam as mesmas também. Aquela velha história de tudo que vai, volta. Aquela que fala, que se nós dermos o nosso melhor, o universo se encarrega do resto e ainda aquela outra, que diz que nós levamos vários tombos na vida, só para aprender a levantar e seguir em frente. E que viver é a coisa mais bonita que existe.

Na verdade, esse momento de retrospectiva serve só como consolo. Em vinte e dois anos aprende-se muito pouco, mas o suficiente para reconhecer isso. E hoje, não é sobre o que se passa lá fora, mas o que fica aqui dentro. Não é sobre mudar, mas se conhecer. E eu posso dizer que me conheço mais que ontem, procuro ser melhor que semana passada e percebo que ainda que eu seja a mesma, alguma coisa mudou - agora sobre aqui fora. Os cenários, as pessoas, a rotina mudou. E hoje eu consigo preencher meus dias sem o peso da expectativa: com a leveza da experiência.

Em um ano, tem gente que aprende inglês, aprende a dirigir, a praticar yoga, ou tudo isso junto. Eu aprendi a ser um pouquinho mais leve. Aprendi a apostar mais na minha opinião, na minha independência algumas vezes tão frágil, na autoconfiança e acima de tudo na sorte. E se eu pudesse apostar nela, apostaria duas vezes.

Conheci um pouco mais as regras da casa, porque o mundo às vezes é muito complicado. Agradeço todos os dias, por todas as coisas, pessoas, lugares, perspectivas e experiências. São elas que me fazem quem eu sou e vão me moldando ao longo do caminho.

Hoje eu convivo melhor com meus dramas, problemas e limites. Após vinte e uma repetições, eu sei arriscar mais, julgar menos, me doar ao máximo e me desgastar o mínimo possível. Sei o que vale o meu choro e o que não merece uma lágrima. E agradeço mais uma vez a vida: os gestos lindos, as pessoas ao meu redor, um simples olhar, um beijo, um carinho, uma bronca necessária e as pessoas que abrem mão de muita coisa, só para compartilhar comigo um pedacinho da nossa existência. É isso que faz a gente sobreviver.

Eu queria pedir felicidade, naquele desejo de aniversário que a gente sempre faz, mas percebi a tempo, que ela sempre esteve aqui. Então o meu pedido é: que nesta vigésima segunda repetição eu aprenda ainda mais a descomplicar a minha vida. Todo resto, para mim, é secundário. E se não for, que venha mais um tombo. Um dia eu aprendo. Pela vigésima terceira, ou quarta vez, mas aprendo.

O dia que a gente nasce vai ser sempre muito feliz e comemorado pelo resto da vida. Mas com o tempo, a gente aprende a ser feliz e a comemorar todos os dias.

Já pode cantar parabéns?


image, source: weheartit.com


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