quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Da gramática.

Palavras, às vezes, doem mais que um tapa na cara. Para mim, isso quase sempre acontece. Ontem, eu ouvi uma frase que me doeu mais que uma surra. Como pode?  Uma dúzia de palavras machucar alguém?  Doeu, não pela chuva que teimava em deixar tudo mais melancólico, mas por ter saído de quem eu tenho muito apreço. E ainda mais afeto.

Eu vivo palavras desde pequena. As falas das fases mais difíceis da minha vida, ecoam sempre que alguma dorzinha bate mais forte. E haja estômago, para receber os murros que me deixam até sem ar. O que me consola é que sofrimentos cicatrizam e que a força para que isso aconteça, mora dentro de mim. Eu bem sei disso, porque em outros tempos isso foi colocado à prova. E eu passei com nota máxima. Ando por aí, sabendo que a vida pode me bater e que, em algum momento, eu tomo coragem para levantar.

Mas por viver, trabalhar e respirar as palavras, eu sei bem que é preciso cuidado com elas. Nelas contém um poder inimaginável. Tomam forma, cor e ganham espaço em lugares onde deveria haver silêncio. Em outros, há silêncio demais e em situações diferentes eu buscaria uma palavra, se esta não doesse tanto.

As palavras podem ficar na memória por dias e no meu caso, meses e até anos. Por isso acho que elas merecem mais cuidado. A gente cuida das pessoas, cuida de pagar as contas em dia, cuida da revisão do carro e deve cuidar do que fala também.  Se quem tem boca vai a Roma, quem cuida do que fala, pode ir para onde quiser.

image,source: tumblr.com

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