Ninguém repara se no topo da árvore de Natal tem uma estrela. Estamos
sempre com pressa, com o tempo estourado e com a paciência também. Implico
comigo mesma, quase o tempo todo. As pessoas dizem que eu sou chata, inclusive
a minha mãe, e só me resta seguir com a minha chatice e ir vivendo. Minha
geladeira tem comida suficiente para alimentar dois passarinhos. Magros, por
sinal. Meu subconsciente me manda correr para ganhar tempo. A vida me manda
pisar no freio para o tempo parar. Respondo tudo pelo celular. Eu deveria ir ao
dentista, mas não consigo comparecer e muito menos marcar.
Nós todos fazemos um esforço enorme para sobreviver a jantares que não
queremos ir, a reuniões que nunca acabam, as capinhas de iPhone que quase
ganham vida própria. E é uma disputa eterna de quem consegue um horário no
salão, quem comparece em mais compromissos em menos tempo, quem tem a foto
curtida mais vezes.
Não lembro a última vez que consegui cumprir minha agenda e nem a
última vez que recebi uma surpresa boa. Tenho preguiça de fila, de ansiedade e
de gente que esvazia a prateleira e esquece de encher o coração. Daqui a dois
dias, há uma profecia de que o mundo vai acabar, como na época dos dinossauros.
Tudo isso, porque os Maias, assim como nós hoje, não tiveram tempo de assinalar
um maldito calendário.
Estamos perto do fim e a culpa disso é nossa. Estamos distantes de nós
e próximos de pessoas que estão do outro lado do mundo. Quando algo nos sensibiliza,
saímos desse estado de transe e olhamos a vida com espanto. Como se tivéssemos passado
pelo fim de tudo e resurgido, tomando café da manhã no dia vinte e dois.
O dia em que o mundo acabar de verdade, vocês vão perceber que ele já
acabou faz tempo. Você só estava ocupado demais, furando a fila do supermercado,
avançando um sinal no trânsito, ou sendo mal educado com o garçom. E se o mundo não acabar sexta, pode ficar tranquilo. Mantendo o ritmo atual, a gente acaba
com ele logo, logo.
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| image,source: weheartit.com |

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