Quando sai do cinema, me dei conta de que a vida passa rápido demais, com ou sem câncer. Que somos todos granadas prestes a explodir e destruir tudo ao nosso redor, mas também podemos fazer algo bom hoje e mudar nossa própria história. Gus, o garoto do filme, tem medo do esquecimento. E o que lhe passa pela cabeça, quando está prestes a deixar este mundo, é que ele deveria ter sido especial. Deveria ter feito algo especial para este mundo e para ser lembrado. A subjetividade da questão vai além e nos cutuca junto a pipocas e refrigerantes. Quantos de nós fazemos algo realmente importante a alguém? Quantos de nós nos arriscamos em feitos memoráveis, ainda que estes sejam coisas banais em nossa vida cotidiana? Fiquei com a sensação de que o hoje é mais importante do que a gente pode imaginar. E perder seu tempo, sua semana, seu mês, por conta de coisas que lhe incomodam, situações que não lhe agradam e pessoas que não valem a pena, é a maior perda de tempo do mundo. Aliás, corrigindo: é perda de vida.
No filme a garota pede que seus pulmões doentes aguentem mais uma semana para que ela possa viver seu sonho. Na vida real, procrastinamos nossos sonhos e vontades por salários mais gordos, horários menos flexíveis, reuniões intermináveis e a nossa mania de querer agradar a Deus e o mundo. Mais ao mundo, é claro. Deus, pouco tem a ver com nossas escolhas. Somos nós os responsáveis por elas, aliás. Nós escolhemos que caminho seguir, que objetivos alcançar e o que é prioridade em nossa vida. E a maioria de nós não vem com nenhuma fatalidade, como é o caso dos personagens do filme. A maioria de nós não tem grandes tragédias pessoais para se desculpar pela falta de coragem. Culpamos o destino, a Deus e a política. É mais fácil e mais cômodo. Só não é decente.
Honestamente, acho que cada um de nós pode fazer muito mais. Pode ser muito mais. Pode ter coragem de levantar da cadeira, abrir a janela e dar uma olhada na paisagem. Cada um de nós, pode tirar os olhos do próprio umbigo e ajudar o próximo. A gente pode parar de reclamar das nossas vidas limitadas e dos nossos destinos e inventar a vida que a gente quiser. E caímos na máxima, expressa no filme e no dia a dia: só basta querer.
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