O tempo ensina muita coisa. A ter paciência, a silenciar
quando necessário, a compreender e a alimentar menos expectativas. Expectativa
faz fotossíntese. Alimenta-se de luz, cria-se sozinha. E se você a alimenta,
desperdiça energia própria, se esforça demais e corre o risco de nada
acontecer.
O tempo te faz querer sempre mais e em contrapartida,
esperar muito menos. Ele te ensina que problema sempre irá existir, que perder
a paciência é como buzinar em engarrafamento: não é porque você faz barulho,
que as coisas vão andar. Segundo ele, a paciência, ou a ciência da paz, merece ser
alimentada por nós, mesmo que tenha vida própria. Ela vale o gasto de energia,
de esforço, de pagar para ver. Ainda que nada aconteça.
O tempo ensina a querer sempre mais. A gente ajoelha, agradece,
reza e pede de coração aberto: não por nós, mas pelos outros. E ensina que ele
resolve tudo e que se houver esforço, dá para colorir meio mundo com um lápis
de cor só. Como o azul, do céu e do mar.
E doutrina verdades. O amor cura, o silêncio fala, o mundo
gira e quem disse que a gente não pode voar? Instrui que a verdade resolve tudo
e que nada vale sua paz de espírito.Com ele, você aprende a importância do abraço, que as
pessoas são únicas, que ninguém tira o que é seu. E começa a ter mais fé, em
você, no futuro e a acreditar que apesar de guardar em um bolso milhares de
expectativas frustradas, o outro está cheio de sonhos. E se você sonhar alto,
pode ir muito mais longe.
A gente sabe que expectativa não é algo que se pode prever e que o tempo não ensina nada. Nós é que vamos tropeçando, aprendendo e melhorando, ao longo do caminho. Modestos, atribuímos ao tempo. No fundo, é bom que seja assim. Afinal, uma hora a gente aprende.
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