Nasci para fazer drama. Para criar
monstros que não cabem embaixo da cama, só para ter a sensação de que dá para
superar isso. Aos cinco anos, quando não entendia nada dos enormes problemas
que a vida me dava, ficava triste por achar que era ruim fazer aniversário e
esperar a aprovação alheia. E muitas vezes, chorava em silêncio, porque não
queria consolo.
Era para ser assim. Crescia um
pouco, fechava os olhos e pedia para que a elasticidade dolorida e paciente do
tempo, curasse a minha impaciência em esperar sempre mais do futuro e muitas
vezes, quebrar a cara. Mas eu nunca tive vergonha de esperar muito e segui,
achando que era normal estar insatisfeito, ainda que fosse com a nota de
geografia.
Com o tempo fui morar sozinha e
aprendi a fingir independência, me consolar e segurar a saudade. Tinha que ser
assim, para que eu aprendesse a viver com os dois pés no chão. Alguma coisa
deveria estar em contato com o solo, já que a minha cabeça sempre esteve nas
nuvens. E nesse meio tempo, parei de esperar qualquer coisa dos outros, vi
minha certeza virar poeira e aprendi a conviver com meus tombos – que foram
muitos, aliás.
Era para ser assim. Cada erro, cada
acerto, cada cena narrada por um locutor que não existe. E cada trilha sonora
que tocava ao fundo e ajudava a superar a ausência de tempo e de falas
decoradas. Não havia script, roteiro e sequer marcação. Não dava para ler
antes, o que viria a seguir e me preparar para cair, tropeçar, enxugar as
lágrimas e seguir em frente. Cinematograficamente falando, é mais bonito assim.
E na vida real também. Não saber o que vem no próximo capítulo é o que te
permite sentir emoção, a cada episódio da vida. Era pra ser assim...e foi.
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