quarta-feira, 27 de junho de 2012

Subjetiva.


Nasci para fazer drama. Para criar monstros que não cabem embaixo da cama, só para ter a sensação de que dá para superar isso. Aos cinco anos, quando não entendia nada dos enormes problemas que a vida me dava, ficava triste por achar que era ruim fazer aniversário e esperar a aprovação alheia. E muitas vezes, chorava em silêncio, porque não queria consolo.

Era para ser assim. Crescia um pouco, fechava os olhos e pedia para que a elasticidade dolorida e paciente do tempo, curasse a minha impaciência em esperar sempre mais do futuro e muitas vezes, quebrar a cara. Mas eu nunca tive vergonha de esperar muito e segui, achando que era normal estar insatisfeito, ainda que fosse com a nota de geografia.

Com o tempo fui morar sozinha e aprendi a fingir independência, me consolar e segurar a saudade. Tinha que ser assim, para que eu aprendesse a viver com os dois pés no chão. Alguma coisa deveria estar em contato com o solo, já que a minha cabeça sempre esteve nas nuvens. E nesse meio tempo, parei de esperar qualquer coisa dos outros, vi minha certeza virar poeira e aprendi a conviver com meus tombos – que foram muitos, aliás.

Era para ser assim. Cada erro, cada acerto, cada cena narrada por um locutor que não existe. E cada trilha sonora que tocava ao fundo e ajudava a superar a ausência de tempo e de falas decoradas. Não havia script, roteiro e sequer marcação. Não dava para ler antes, o que viria a seguir e me preparar para cair, tropeçar, enxugar as lágrimas e seguir em frente. Cinematograficamente falando, é mais bonito assim. E na vida real também. Não saber o que vem no próximo capítulo é o que te permite sentir emoção, a cada episódio da vida. Era pra ser assim...e foi.


source, image: weheartit.com

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