Eu cresci, o medo não passou e muito menos o encantamento. O que surgiu foi a minha capacidade de analisar a situação de uma forma poética: hoje, o meu parque de diversões é a vida. Fico de boca aberta com a grandiosidade dela, suas luzes,
cores e pessoas que vem e, uma hora ou outra, vão. E ao mesmo tempo, morro de medo. Tenho medo de perder as pessoas, de atravessar a rua, de bandido e de manchetes clichês de jornal.
Mas, pensando melhor, a vida se assemelha mais a uma montanha-russa, se olharmos bem de perto. Uma hora estamos encarando uma subida, lenta, com aquele friozinho na barriga, aquela sensação gostosa de que alguma coisa boa está por vir. Na subida, somos os donos do mundo: temos sucesso, alguém para amar, somos jovens e tudo bem perder uma noite de sono por uma balada. Tudo vale a pena, afinal. Quando estamos por cima, muitas vezes não queremos olhar as pessoas que estão lá em baixo, seja por medo, por pena, ou por incapacidade mesmo.
Quando a subida termina, porque vida é feita de ciclos e alguns deles passam mais rápido do que a gente queria, vem a queda livre. Você pode gritar, sacudir os braços, tentar se segurar nas barras de proteção, mas dessa vez, meu amigo, você está sozinho. Se não ajudou o coleguinha do lado quando estava no auge, ele certamente não fará o mínimo esforço para consolar você agora. Triste, né?!
A vida é feita disso: subidas íngremes, que achamos difíceis mas que nos levaram aos melhores lugares, descidas inesperadas e que nos amedrontam e que seriam facilmente suportáveis com alguém do lado, cabelos ao vento e sorrisos, que nos fazem pensar que a vida ainda tem jeito. Entre subidas e descidas, a vida segue. Entre altos e baixos, o mundo gira. E é melhor abrirmos os olhos, pois, como diriam os jovens de hoje, quem vacilar, roda.

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