sábado, 9 de maio de 2015

Tudo o que eu já disse.

Eu queria te dizer tanta coisa. Mas eu só falo demais quando não devo. Quando olho as nossas fotos, eu vejo a felicidade guardada um pedacinho de papel. Clichê, né? Será que alguém já escreveu isso? Será que alguém já sentiu isso? Por falar em sentir, eu sinto muito. Sinto muito por todas as vezes em que apostei demais nas expectativas e nos contos de fadas. Sinto muito por ser grossa e depois tentar ser fofinha no momento seguinte, e parecer louca sem querer.

Mas, como já disseram por aí, as pequenas coisas tem um valor maior, né? Pena que a gente sempre se esquece, ou quase não se lembra de dizer. Então, lá vai: adoro a forma brincalhona como você encara a minha bagunça. Você dá risada do meu jeito maluco de colocar o mundo de cabeça pra baixo e achar que isso é normal. Dá bronca quando eu passo dos limites. Aí, quem ri, sou eu. Gosto também quando você acorda e vai dar comida pros cachorros, pra eu aproveitar aqueles cinco minutinhos de preguiça matinal. E nem se importa se camisa branca vai ficar cheia de marquinhas de pata, outra coisa que aliás, eu adoro também. Acho lindo, quando você ri com os olhos, quando estou preparando alguma coisa e você vem pra cozinha me fazer companhia. Ou quando esquece a letra da música e ainda insiste em cantarolar. Eu sei, a gente economiza nos elogios, mas nos beijos e abraços, nunca.

Você não sabe, mas eu nunca tive almoços de domingo, com a família reunida, igual na novela, antes de você. E faço tudo pra agir naturalmente. Você não sabe, mas eu te ajudava a estudar pra ver sua cara animada, me explicando coisas que minha cabecinha de vento jamais iria assimilar. Você nem imagina, mas álbuns de figurinhas do seu lado, eram mais legais que ganhar a Copa.

Você não sabe um monte de coisas que eu nunca te disse e sabe outras tantas, muitas vezes tão desnecessárias, E eu não sei uma porção de coisas que você acha que eu sei, que ficam só no campo da teoria, ou do pensamento. Moral da história: se eu falasse menos e você falasse mais, talvez nós faríamos o par perfeito e acumularíamos ainda mais histórias boas guardadas no tempo por fotografias bonitas. Mas, pensando melhor, esse negócio de perfeição é chato e morreríamos de tédio em 7 dias úteis. Melhor focar na conversa boa, nas histórias bonitas e no que vale ser guardado no tempo. Desse jeito, a prosa rende.

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