terça-feira, 17 de julho de 2012

Quase.


Eu escrevo para não ter que torrar a paciência de ninguém e no final das contas, quase sou feliz. Eu quase me lembro de datas especiais, mas aí a música no rádio, o trânsito, meu celular me distrai. Eu quase montei um álbum lindo com fotos bonitinhas de vários momentos que eu não consigo guardar na minha pouca memória, por fim lembrei que é na minha bagunça que mora a graça da coisa. Eu quase me empenho em aprender a cozinhar, mas aí me lembro do macarrão instantâneo no armário. Eu quase tive uma família de comercial de margarina, até que um dia cada um resolveu seguir seu próprio umbigo e eu fiquei aqui, me preocupando com o umbigo alheio e tentando achar meu próprio caminho também. Eu quase quero ter filhos, mas ainda não tenho histórias bonitas para contar. E quase fiz uma coisa certa na vida. Foi por pouco. Eu quase tenho o perfil mulherzinha: uso esmaltes, compro sapatilhas e olho atentamente a balança, para que o jeans 38 entre e as reclamações típicas sobre o peso saiam. Só que tem o futebol que eu assisto, o MMA e o meu interesse por videogame, ainda que nem jogar eu saiba. Eu quase engano que sou alegrinha o tempo todo, mas aí alguém descobre um pedacinho triste e cansativo que poucas pessoas conhecem. Eu quase não tenho apego, ciúmes e aquele eterno mimimi. E quase tomo cuidado para que as pessoas entendam que o meu afeto exagerado é apenas a minha maneira de gostar. E quase não me encanto com comédias românticas e fico parecendo uma idiota emocionada, mas aí o lado mulherzinha aparece. No fim das contas, eu quase consigo viver em paz. E pensando bem, eu quase tenho sorte. O problema é esse quase, que nunca me deixa.


image, source: weheartit.com

Nenhum comentário: