Nem precisava de
certezas, para acreditar que no fim das contas tudo terminaria da melhor forma
possível. E enquanto todo mundo se preocupava em andar e fazer coisas, ela
observava atentamente todas essas coisas e principalmente, os olhares. Observava
a vida com sede de um mundo que tinha muita fome. Fome de compaixão, de atenção,
de misericórdia. Apesar da correria da vida, dos fatos, houve um pause na
loucura que se arrasta pelos dias, para olhar para o lado. Olhos cansados, a
expressão chave, que abria as portas da alma. Engano achar que, com boas intenções
e argumentos, ela ajudava as pessoas. As pessoas é que ensinavam coisas pelo
caminho e cada situação difícil descrevia um aprendizado, ainda que oculto. E o
aprendizado, os olhares cansados que antes tão doloridos, ia se perdendo na
multidão de bobeiras de autoajuda e vistas cansadas. De tanto querer aprender,
às vezes a gente se perde. De tanto olhar a tristeza, a gente passa a não
enxergar mais. O destino quem ditou as regras, mas foi ela quem escolheu tudo.
Bancou a história toda e rezou para que tudo entrasse nos eixos. Por mais que, vez
ou outra, desacreditasse de si mesma. E não queira discutir, argumentar. Desde
pequena, o remédio é o silêncio. O choro escondido, o curativo. E sem checar se
a corda não irá arrebentar, ela dá seus saltos do ponto mais alto. E eu, olho e
rezo a Deus que cuide desta menina. Porque ela não tem cautela, mas só ele sabe
o quanto já sofreu, se doeu e chorou junto com fraturas expostas, que muitas
vezes não eram dela. E eu vivo dizendo
para ela se poupar mais. Ela ri e dá de ombros. Não para nunca de tentar achar
remédio para todos os males. E se alguém não tiver imunidade própria, ela
empresta.
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