sexta-feira, 18 de novembro de 2011

13 horas.


Sol escaldante. Trânsito quente. Carros, buzinas e o asfalto que parece não mais agüentar tanta pressão. E na alta velocidade, de repente, tudo para. E surge uma carroça. Inacreditável. Sinto pena do cavalo. Sinto pena do senhor que conduz. Olho para o semáforo e vejo o quanto ele ainda tem que percorrer para chegar ao seu destino. Definitivamente a imensa avenida que ele percorre não é o lugar onde pretende chegar. Sinto pena da moça ao lado do senhor que, numa tentativa quase que irônica, tenta se esconder do sol com uma folha de papel. O semáforo fecha. Sinto pena do senhor ao meu lado, com um sorriso otimista. Ou conformado, o que é pior. Tenho que desviar da charrete e a minha vontade é dizer, ei vocês, eu admiro muito sua coragem! De seguir em frente. Eu admiro muito que vocês estão fazendo aqui, nessa avenida ou nessa vida. Mas eu sigo em frente. Seja lá o que isso signifique. E ultrapasso a charrete. E aumento o rádio para ver se meus pensamentos se concentram em alguma música. Mas nada para de pensar aqui dentro. Nada para o sol escaldante e o trânsito quente.  Se tiver uma coisa que dói mais do que se sentir incapaz, é o fato de isso morar dentro da gente. E por mais que o senhor dos olhos tristes chegue ao seu destino, satisfeito, aquele olhar vai me doer bastante ainda. Porque a desigualdade é fardo de uma sociedade inteira, mas olhares tristes e cansados é que nos fazem iguais.

Source, image: weheartit.com


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