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terça-feira, 5 de maio de 2015

Legado.

Deixa que a vida leva. Que o tempo se encarrega. Que as feridas saram. Que o medo vai embora. 

Deixa que o relógio voa. Que a pressa passa. Que o pesado, um dia, fica leve. 

Deixa que a dor vai diminuindo. Que o amor-próprio vai aumentando. Que a fé na vida vai somando. Que o futuro vai surgindo. 

Deixa pra lá o que te deixou pra lá. Deixa pra amanhã a tristeza. Deixa pra depois o que não tem remédio. 

Deixa na mão do destino, que ele sabe o que faz. Deixa sua prece mais bonita para Deus, sempre vale a pena.

Deixa a experiência somar e o arrependimento sumir. 

Deixa a vida colorir o seu dia. Deixa o mundo te abençoar com o que você merece. 

Deixa o problema na gaveta que quando você voltar, já virou solução. 

Deixa o universo conspirar a seu favor. Deixa de lado a dor e leva seu sorriso pra passear. 

Deixe eles rirem. Tudo que vai, volta. 

Deixa o que não for pra ser ir embora e o que tiver que ficar, a gente ajeita. 

E se for amor, não deixa passar. 



segunda-feira, 16 de março de 2015

Claro.

Hoje, eu poderia ter usado o meu vestido mais bonito. Um branco, novo, que talvez nunca tenha saído do armário. Eu teria ido a uma festa em que as moças ficariam olhando para o meu vestido branco e os moços para minhas pernas. Não que o vestido seja incrível, apenas por que ele poderia cair bem em qualquer uma delas facilmente. E não que eu seja bonita, apenas porque eles olhariam para qualquer mulher que passasse por ali. E vocês me desculpem, mas eu tenho a maior preguiça dessa história de "qualquer". Qualquer bar, qualquer pessoa, qualquer dia, não serve. Pode ser que eu te cause cabelos brancos, que eu te dê nos nervos, que derrube meio mundo, vez ou outra, mas ainda assim, isso não é qualquer coisa. 

Todo mundo tem espalhado por aí, pelo menos dez opções diferentes, sejam elas de almoços, baladas, talentos, camisetas, ou pessoas. E nós, humanos, temos o péssimo hábito de mudar de ideia entre uma alternativa e outra. Mas algumas coisas nós deveríamos pensar melhor. Porque é nesse processo de escolha que entendemos a lógica da lei de ação e reação, a sensatez de tantos filósofos e a capacidade humana de superar os próprios instintos e usar a cabeça, de vez em quando. E também, de evitar dores desnecessárias.

Justo hoje, que o meu cabelo estava bonito, que eu passei um rímel incrível e que recebi ligações de diversos amigos diferentes, eu preferi estar em casa. A lógica disso, ninguém explica. É sábado e gente da minha idade, deveria chegar depois das quatro, ou antes do almoço estar na mesa. Deveria passar o domingo na cama, curando a ressaca, e não pensando em banalidades sentimentais. 

Eu, que estou com vinte e dois anos, mas na verdade tenho uns trinta e sete, deveria curtir a balada da noite regada a drinks, o dj do momento e uma eterna abordagem de pessoas desconhecidas perguntando o meu nome. Seria mais fácil, se eu já tivesse a idade da experiência que estes poucos anos de vida me proporcionaram. Seria mais fácil, se a balada tivesse mais bancos, porque minhas costas doem e se os drinks fossem feitos com a bebida que dizia no folheto da festa. Seria bem mais fácil se o dj do momento não se achassem a nova estrela da broadway e se as pessoas desconhecidas entendessem meu nome de primeira. 

A minha vida, seria muito mais fácil, se ao invés de discutir, a gente se colocasse no lugar do outro, e ao invés de defender nossas próprias vontades, tentasse entender a de quem está ao nosso lado. A minha vida seria muito mais fácil também, se ao invés de olhar para o meu vestido branco, as pessoas se interessassem por quem quer que seja, que não suas próprias dores, seus desejos, ou seus próprios umbigos. E eu seria mais fácil, se eu não fosse tão chata, ou estressasse as pessoas a ponto de clarear seus cabelos antes do tempo. 

Eu poderia ser de diversas outras formas, mesmo sabendo que meu nome não seria entendido na primeira vez em que eu te contasse. Eu poderia aceitar o título de qualquer garota e ir para qualquer bar. Eu poderia escolher melhor o lugar onde eu almoço, as festas que frequento, as roupas que visto e as pessoas com quem me relaciono. E poderia aprender a conviver com a velhinha dentro de mim e vez ou outra sair pra levar a mocinha jovem para passear. Seria muito mais fácil. Mas nunca é. 

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terça-feira, 20 de agosto de 2013

Por ventura.

O mundo precisa de mais poesia. Mesmo daquele tipo barato, de boteco de esquina. Poesia barata, que seja. Aquela que você escuta de vez em quando e lê nos muros pichados, entre paredes descascadas.

A gente teima em compartilhar porcentagem idiotas, extratos bancários e tantas outras notícias irrelevantes. Porque não poesia? Porque não uma frase bonita de música? Veja bem, que aqui não estamos tratando das frases de autoajuda que atolam as redes sociais e só consolam quem as escreve. A vida precisa de mais rimas bobas, bilhetes escritos à mão e mais frases bonitas no rodapé daqueles produtos que deixam a vida mais doce: o chocolate, o açúcar e aquele pão quentinho da manhã.

A vida inspira arte e nós precisamos aspirar tudo isso: tanto a vida, quanto a arte. Seja em muros pichados, em botecos de esquina, nas frases doces de um sambinha bom. Diga bonito, grite alto, ultimamente, meu caro, ninguém se importa mais com isso.

O mundo anda carente de coisas bonitas e lotado de besteiras que enchem os nossos ouvidos e olhos. Claro, que eu sou completamente apaixonada pela melancolia de Bukowski. Ele é encantadoramente brilhante em toda a sua tristeza. Mas que graça tem a tristeza por si só?


Cultivemos mais palavras de otimismo. Seja do sertanejo que quer paz e amor para nós ou nas estrelas inatingíveis de Mário Quintana. Seja em um post bobo de um blog abandonado ou nas mais brilhantes teses de mestrado. É como se a gente sorrisse para a vida. E ela, para nós.


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terça-feira, 25 de junho de 2013

De olhos abertos.

O problema do ser humano é esse. Não conseguimos ver o que está ao nosso lado. Só vemos a orquídea, quando ela murcha. Só vemos o pneu do carro, quando ele fura. Só vemos quanta gente querida está ao nosso lado, quando elas se cansam de não serem vistas e vão embora. Triste não é?

Mais triste ainda é quando as pessoas fantasiam com o que não está ao seu alcance e esquecem-se de ver o quanto a realidade é bonita. Ela sempre é. Nossas vistas é que estão cansadas e a rotina acaba por embaçá-las ainda mais. É mais fácil olhar pela janela e ver o quanto o piso do vizinho é mais bonito, o quanto a garota que te dá mole é mais interessante, o quanto o carro do amigo é melhor. 

Não vemos a vida como ela merece ser: bonita, colorida e cheia de coisas boas. Preferimos sonhar com uma grama mais verde, mesmo quando não cuidamos da nossa. Se você não cuida, a água, a esperança, a grama e o amor acabam por secar.

E agora me diz: vai continuar olhando para o lado ou vai tentar olhar mais para dentro? A vida tem mais graça quando você faz com que ela tenha. A responsabilidade é toda sua. Inclusive se tudo der errado. Não corra riscos desnecessários. A vida por si só já é imprevisível demais para andarmos tão distraídos. Não é porque você mente, que as pessoas acreditam. O fato de se calarem, não quer dizer que não saibam. Não é porque você se distrai que as pessoas não estão olhando para você.

A minha esperança na humanidade é que ela possa curar suas vistas cansadas, antes que o que mais importa não esteja mais ao alcance dos olhos. 


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quarta-feira, 5 de junho de 2013

Para quem acredita.


Fernando Mendes já dizia: “sorte tem quem acredita nela”, acho que essa verdade se aplica também para o amor. Sim, o amor. Aquela coisinha tão desacreditada nos dias atuais. Quando éramos crianças, nos ensinaram sobre contos de fadas e finais felizes. Aí a gente cresce e descobre que nesse nosso mundinho sobram propagandas bonitas e faltam vagas de emprego. Cadê todo aquele romance das historinhas meu Deus? Quem acredita, no final das contas acaba sempre encontrando. 

Conheço uma pessoa que viajou para a Europa e lá, entre belos campos floridos e um frio danado, encontrou alguém para amar. Eu não sei para você, mas para mim isso parece amor, digno de filme no cinema com pipoquinha e refrigerante a tiracolo. Aí você me diz, os homens não valem nada, as mulheres só querem saber de farra hoje em dia, e eu, mera ouvinte da vida alheia, vou ouvir e concordar... Em partes. O mundo tá cheio de gente querendo se apaixonar, gente capaz de juntar os menores cacos de um coração partido e transformar em algo bonito, que dá gosto de olhar e ver brilhar todos os dias.  
  
Você pode me dizer que não dá para acreditar em algo que traz dores, sofrimentos, mágoas e que às vezes briga, bate a porta e jura nunca mais voltar. E eu lhe direi: a vida é assim. Se fosse apenas a parte boa, não teria graça e muito menos aprendizado. Não teria emoção. Não iria encher os olhos e o peito de algo que nem sabemos explicar.

Amor é para quem acredita. Para quem dá a cara à tapa mesmo já tendo apanhado inúmeras vezes. Amor é para quem fecha os olhos e faz pedidos para as estrelas. Para quem acredita que lá no céu, em algum lugar, alguém cuida de você. Para quem vê no amanhã, possibilidades. Para quem vê no destino, mais que casualidades. Para quem acredita no futuro, no bem, no bater descompassado do coração, ou nas pernas que tremem quando ele se aquece. Amor é pra quem não subestima a própria alma e é capaz de se permitir viver algo extraordinário.

Se você me perguntasse algo sobre o amor, eu não diria nada disso. Diria apenas, que é algo que vale a pena. Se você já viveu um amor, nada do que eu diga será capaz de expressar o que você sentiu. Se ainda não viveu, eu não conseguirei dizer nada que expresse a grandiosidade dessa pequena palavra. O amor é quando duas pessoas se encontram do outro lado do planeta e conversam sobre bobagens e daí surge a vontade de ligar no dia seguinte, de se ver na semana que vem. Ou pode ser que o amor ande por perto, nas filas dos supermercados ou das lotéricas enquanto você perde tempo com seu smartphone.

Ele não marca data e nem hora para aparecer. Poderia descrever aqui, mil amores que aconteceram e eu tive o prazer de testemunhar e nem assim, você me entenderia. O amor é tão inesperado quando bonito. E cabe no espaço de tempo que você quiser acreditar. Eu acredito. Sempre. 



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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Cômoda


O que eu mais detesto nas particularidades da nossa espécie é a mania de dar valor as coisas apenas quando elas estão acabando.

Não valorizamos os nossos amigos, até que a nossa conversa não passe da segunda pergunta superficial. Não valorizamos nossos pais, ou filhos, até que eles tenham partido, ou  mudado para outra cidade. Não valorizamos namorados, maridos, companheiros, até que alguém peça o divórcio. Nesse momento, invejamos os pinguins-das-galápagos que são monogâmicos e vivem felizes até que a morte os separe.

Fala sério, gente. Está mais do que na hora de mudar esse comportamento tão disperso. Por que só no fim? Qual o problema em dizer aos seus amigos o quanto eles são importantes, agradecer quando necessário, se desculpar na hora devida? Qual o problema de vocês pais, dizerem aos seus filhos o quanto se orgulham de suas conquistas, ou até mesmo um simples “eu te amo”? E vocês, filhos, já viram o quanto seus pais dão um duro danado para que vocês tenham tudo que suas mentes férteis podem querer? Já disseram obrigado, hoje? E o seu relacionamento? Você sequer troca mais de cinco frases com a pessoa que está com você? Dizer “eu te amo” só em datas importantes, como aniversário ou no Happy New Year? Fala sério, gente.

Então, eu vos digo, meus amigos: é melhor correr. Corre, cata os pedaços do chão. Cola, bem coladinho. Quem você tem ao seu lado, é tudo o que importa nessa vida. Não espere elas não estarem mais aí para dar valor. O que você compra, perde o valor em dois dias. O que você faz, tem mais valor quando dividido. Pegue um cobertor e vá cobrir o frio de quem está próximo a você.

Não é preciso mover montanhas. Gestos simples fazem diferença. Não fique aí sentado, porque um dia a saudade vai bater e você não vai poder ligar. Um dia, aquela piada que você adora, não terá graça para sua nova companhia. Não espere o silêncio, a mensagem não respondida, a ligação não retornada. 

Aproveite enquanto as pessoas estão aí do seu lado. Se achar necessário, brigue, grite, diga o que não agrada. Mas isso deve ser exceção. A regra é: se você gosta, fale. Se você ama, demonstre. Se você quer, peça. Não deixe as coisas subentendidas, no silêncio. Parafraseando o escritor Fabrício Carpinejar, no acúmulo da poeira, as gavetas podem trincar. Cuide bem das suas.  


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quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Jingle Bells


O Natal chega e junto com ele a correria do consumismo desenfreado e necessário, que me dá calafrios de pensar. Lojas lotadas, filas enormes, sem vagas no estacionamento e a minha preguiça enorme de tudo isso. O Natal é mágico para mim. Sem ironias. Acho mágica a forma como todas as pessoas ficam mais felizes, mais doces e mais educadas – quando não estão disputando com você o último produto da prateleira. A cidade fica linda. As ruas cheias de luzes que tornam tudo mais poético. Sou apaixonada pelos enfeites de Papai Noel, pela simbologia da data e ridiculamente encantada pelas embalagens de presente. Mas o Natal vem cheio de peculiaridades. Está aberta a temporada de sorrisos de plástico. Das perguntas das tias que só aparecem nessa época para saber sobre a minha vida de solteira, minha magreza excessiva, minhas olheiras e meus sumiços em todas as festas promovidas por elas. Vamos encontrar os desconhecidos íntimos, conhecidos recentes, agregados e tudo isso coberto com toda aquela comida que tem carne, porque esqueceram que eu sou vegetariana. Alguém vai se oferecer para sair e comprar algo, surgirão questionamentos sobre isso e vamos passar horas discutindo a minha saúde enfraquecida. Trocaremos presentes, mais sorrisos plastificados e votos de que no próximo Natal eu arrume a minha outra metade e engorde um pouquinho mais. Depois vamos embora felizes. Com a certeza de que cumprimos nossos papéis perante a família e sobrevivemos a mais um ano de luta. Adoro o Natal e tudo o que vem junto com ele. Quando a gente já conhece o roteiro da história, passa a levar tudo menos a sério e aproveitar ainda mais a presença daquelas pessoas que te sufocam, mas que no fundo te amam demais. A magia do Natal me encanta, comove e faz eu amar ainda mais esta época. Tudo isso, me faz acreditar que Papai Noel existe sim e me deu de presente as pessoas mais lindas do mundo. O resto é apenas festa. 

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sexta-feira, 25 de novembro de 2011

O dia da tristeza.


Hoje de manhã indo para o trabalho a trilha sonora era Amy Winehouse. Eu fiquei triste por ela e por todos os semáforos que fecharam, prolongando a nossa tristeza sonora conjunta. E o sol estava quente. O típico sol de verão que tornam os dias absurdamente claros, mas que no fundo te mostram a proporção do quanto não se controla a vida. Você sai de casa com roupas de calor, de noite faz frio. E isso não tem nada de triste, mas a imprevisibilidade nossa de cada dia me abalou também. A tristeza do mendigo e do cachorro, ambos sujos e abandonados me deram uma tristeza maior ainda. Do tipo que você chora, sem saber a causa do drama. Todas aquelas conversas vazias do mundo virtual, todas as pessoas vazias do mundo real e todas as ações programadas com segundas intenções me deixaram tristes. Os comentários sobre a festa de amanhã, me deram um sono profundo. As reuniões, os trabalhos e a sms que eu tanto gosto, não tiveram graça nenhuma. Essas atendentes de loja que só te tratam bem porque você está bem vestida, me dão a real noção do quanto o nosso mundo anda uma loucura e tudo isso é demais para mim. E todas as luzinhas de Natal, Jingle Bells e festividades que se aproximam me entristecem. O pior dessa tristeza toda é que ela não é óbvia e muito menos convincente e sempre surge alguém para dizer que tem gente pior no mundo. Tem sim, com certeza. E isso me deprime mais ainda. A vida não é injusta, triste, ruim e nem nada disso. Mas ainda sim, anda meio difícil passar por ela ultimamente. 

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quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Fake.

Nós nunca estamos satisfeitas. Se tivermos cabelo liso, queremos enrolado. Se estivermos sozinhas, queremos estar acompanhadas e quando conseguimos, queremos liberdade. E transparecemos o tempo todo onipotência, onipresença e, sobretudo, competência. Mas a verdade é que morremos de medo. Todos nós, não só as mulheres. Mas o assunto de hoje, são as mocinhas que controlam suas próprias vidas e acabam prisioneiras da liberdade. E eu faço parte desse time. Tenho um milhão de amigos e quase sempre choro sozinha. Mas nós, mulheres do século XXI, temos carro, casa, status, festa da moda para ir, paqueras, roupas caras, sorrisos iguais e acabamos por guardar o conto de fadas no fundo do armário. Ainda assim reclamamos, fazemos terapia, odiamos  o sábado a noite em casa. E tem sempre aquele exemplo de mulher bem sucedida, linda e bem vestida, que no fim do dia não recebe uma sms de boa noite. Estamos cada vez mais frias, sozinhas e de nariz empinado. E permanecemos em uma busca incessante, por algo que a gente nem sabe o que é e muito menos como encontrar. A verdade nunca satisfaz. Basta à realidade bater a porta, que saímos correndo pela pelos fundos com nossos cabelos de comerciais. O que a gente precisa é de menos ego e mais humildade. Parar de carregar o rei na barriga, de esperar o príncipe encantado.E de sabotar nossa própria felicidade.

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terça-feira, 22 de novembro de 2011

Sua vida.


Nosso tempo é tão curto. A gente acha que tem a vida inteira pela frente e quando vê, cadê a juventude que estava aqui? A vida levou. E o que ficou do que você fez? Eu espero que muito mais do que heranças, fotos em revistas de celebridades e seu nome estampado em colunas sociais. Porque não deve haver nada mais frustrante para o futuro, do que olhar para um passado cheio de vazios. Então se importe mais com quem precisa desabafar. Tenha ao menos coragem de dar a cara à tapa e aprender com os erros. E se cair, não chore sozinho. Sua vida pode ser tão fantástica quanto a do vizinho. Basta que você observe mais de perto, o que realmente importa. E para descobrir isso, você deve ser capaz de enxergar a vida sob outra perspectiva: o que fará diferença para você, daqui a cinco anos? A festa? O sapato que você não comprou? Aquele infeliz que colocou o carro na sua frente? Exatamente, nada disso. Então para quê desgastarmos o nosso precioso, e cada vez mais raro, tempo, com coisas que sequer lembraremos daqui a um mês? Sua vida tem que valer muito mais do que tudo o que você pode comprar. Seu tempo vale muito, e como eu já disse, a gente não tem a vida inteira. Aproveite a sua chance de hoje. Você ainda pode escrever boas ações, palavras e pensamentos para os próximos minutos, dias e meses. Ainda dá tempo de salvar sua existência, se você se doar mais para algum bem comum. Você ainda pode ser mais paciente, generoso e mais divertido. Corra. Dê o seu melhor em tudo o que fizer.  Logo ali na frente tem um lugarzinho chamado paz, te esperando. E essa, tem todo tempo do mundo.

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sexta-feira, 18 de novembro de 2011

13 horas.


Sol escaldante. Trânsito quente. Carros, buzinas e o asfalto que parece não mais agüentar tanta pressão. E na alta velocidade, de repente, tudo para. E surge uma carroça. Inacreditável. Sinto pena do cavalo. Sinto pena do senhor que conduz. Olho para o semáforo e vejo o quanto ele ainda tem que percorrer para chegar ao seu destino. Definitivamente a imensa avenida que ele percorre não é o lugar onde pretende chegar. Sinto pena da moça ao lado do senhor que, numa tentativa quase que irônica, tenta se esconder do sol com uma folha de papel. O semáforo fecha. Sinto pena do senhor ao meu lado, com um sorriso otimista. Ou conformado, o que é pior. Tenho que desviar da charrete e a minha vontade é dizer, ei vocês, eu admiro muito sua coragem! De seguir em frente. Eu admiro muito que vocês estão fazendo aqui, nessa avenida ou nessa vida. Mas eu sigo em frente. Seja lá o que isso signifique. E ultrapasso a charrete. E aumento o rádio para ver se meus pensamentos se concentram em alguma música. Mas nada para de pensar aqui dentro. Nada para o sol escaldante e o trânsito quente.  Se tiver uma coisa que dói mais do que se sentir incapaz, é o fato de isso morar dentro da gente. E por mais que o senhor dos olhos tristes chegue ao seu destino, satisfeito, aquele olhar vai me doer bastante ainda. Porque a desigualdade é fardo de uma sociedade inteira, mas olhares tristes e cansados é que nos fazem iguais.

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