Mostrando postagens com marcador pensar. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador pensar. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Por ventura.

O mundo precisa de mais poesia. Mesmo daquele tipo barato, de boteco de esquina. Poesia barata, que seja. Aquela que você escuta de vez em quando e lê nos muros pichados, entre paredes descascadas.

A gente teima em compartilhar porcentagem idiotas, extratos bancários e tantas outras notícias irrelevantes. Porque não poesia? Porque não uma frase bonita de música? Veja bem, que aqui não estamos tratando das frases de autoajuda que atolam as redes sociais e só consolam quem as escreve. A vida precisa de mais rimas bobas, bilhetes escritos à mão e mais frases bonitas no rodapé daqueles produtos que deixam a vida mais doce: o chocolate, o açúcar e aquele pão quentinho da manhã.

A vida inspira arte e nós precisamos aspirar tudo isso: tanto a vida, quanto a arte. Seja em muros pichados, em botecos de esquina, nas frases doces de um sambinha bom. Diga bonito, grite alto, ultimamente, meu caro, ninguém se importa mais com isso.

O mundo anda carente de coisas bonitas e lotado de besteiras que enchem os nossos ouvidos e olhos. Claro, que eu sou completamente apaixonada pela melancolia de Bukowski. Ele é encantadoramente brilhante em toda a sua tristeza. Mas que graça tem a tristeza por si só?


Cultivemos mais palavras de otimismo. Seja do sertanejo que quer paz e amor para nós ou nas estrelas inatingíveis de Mário Quintana. Seja em um post bobo de um blog abandonado ou nas mais brilhantes teses de mestrado. É como se a gente sorrisse para a vida. E ela, para nós.


image,source: tumblr.com

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Para quem acredita.


Fernando Mendes já dizia: “sorte tem quem acredita nela”, acho que essa verdade se aplica também para o amor. Sim, o amor. Aquela coisinha tão desacreditada nos dias atuais. Quando éramos crianças, nos ensinaram sobre contos de fadas e finais felizes. Aí a gente cresce e descobre que nesse nosso mundinho sobram propagandas bonitas e faltam vagas de emprego. Cadê todo aquele romance das historinhas meu Deus? Quem acredita, no final das contas acaba sempre encontrando. 

Conheço uma pessoa que viajou para a Europa e lá, entre belos campos floridos e um frio danado, encontrou alguém para amar. Eu não sei para você, mas para mim isso parece amor, digno de filme no cinema com pipoquinha e refrigerante a tiracolo. Aí você me diz, os homens não valem nada, as mulheres só querem saber de farra hoje em dia, e eu, mera ouvinte da vida alheia, vou ouvir e concordar... Em partes. O mundo tá cheio de gente querendo se apaixonar, gente capaz de juntar os menores cacos de um coração partido e transformar em algo bonito, que dá gosto de olhar e ver brilhar todos os dias.  
  
Você pode me dizer que não dá para acreditar em algo que traz dores, sofrimentos, mágoas e que às vezes briga, bate a porta e jura nunca mais voltar. E eu lhe direi: a vida é assim. Se fosse apenas a parte boa, não teria graça e muito menos aprendizado. Não teria emoção. Não iria encher os olhos e o peito de algo que nem sabemos explicar.

Amor é para quem acredita. Para quem dá a cara à tapa mesmo já tendo apanhado inúmeras vezes. Amor é para quem fecha os olhos e faz pedidos para as estrelas. Para quem acredita que lá no céu, em algum lugar, alguém cuida de você. Para quem vê no amanhã, possibilidades. Para quem vê no destino, mais que casualidades. Para quem acredita no futuro, no bem, no bater descompassado do coração, ou nas pernas que tremem quando ele se aquece. Amor é pra quem não subestima a própria alma e é capaz de se permitir viver algo extraordinário.

Se você me perguntasse algo sobre o amor, eu não diria nada disso. Diria apenas, que é algo que vale a pena. Se você já viveu um amor, nada do que eu diga será capaz de expressar o que você sentiu. Se ainda não viveu, eu não conseguirei dizer nada que expresse a grandiosidade dessa pequena palavra. O amor é quando duas pessoas se encontram do outro lado do planeta e conversam sobre bobagens e daí surge a vontade de ligar no dia seguinte, de se ver na semana que vem. Ou pode ser que o amor ande por perto, nas filas dos supermercados ou das lotéricas enquanto você perde tempo com seu smartphone.

Ele não marca data e nem hora para aparecer. Poderia descrever aqui, mil amores que aconteceram e eu tive o prazer de testemunhar e nem assim, você me entenderia. O amor é tão inesperado quando bonito. E cabe no espaço de tempo que você quiser acreditar. Eu acredito. Sempre. 



image, source: tumblr.com

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Cômoda


O que eu mais detesto nas particularidades da nossa espécie é a mania de dar valor as coisas apenas quando elas estão acabando.

Não valorizamos os nossos amigos, até que a nossa conversa não passe da segunda pergunta superficial. Não valorizamos nossos pais, ou filhos, até que eles tenham partido, ou  mudado para outra cidade. Não valorizamos namorados, maridos, companheiros, até que alguém peça o divórcio. Nesse momento, invejamos os pinguins-das-galápagos que são monogâmicos e vivem felizes até que a morte os separe.

Fala sério, gente. Está mais do que na hora de mudar esse comportamento tão disperso. Por que só no fim? Qual o problema em dizer aos seus amigos o quanto eles são importantes, agradecer quando necessário, se desculpar na hora devida? Qual o problema de vocês pais, dizerem aos seus filhos o quanto se orgulham de suas conquistas, ou até mesmo um simples “eu te amo”? E vocês, filhos, já viram o quanto seus pais dão um duro danado para que vocês tenham tudo que suas mentes férteis podem querer? Já disseram obrigado, hoje? E o seu relacionamento? Você sequer troca mais de cinco frases com a pessoa que está com você? Dizer “eu te amo” só em datas importantes, como aniversário ou no Happy New Year? Fala sério, gente.

Então, eu vos digo, meus amigos: é melhor correr. Corre, cata os pedaços do chão. Cola, bem coladinho. Quem você tem ao seu lado, é tudo o que importa nessa vida. Não espere elas não estarem mais aí para dar valor. O que você compra, perde o valor em dois dias. O que você faz, tem mais valor quando dividido. Pegue um cobertor e vá cobrir o frio de quem está próximo a você.

Não é preciso mover montanhas. Gestos simples fazem diferença. Não fique aí sentado, porque um dia a saudade vai bater e você não vai poder ligar. Um dia, aquela piada que você adora, não terá graça para sua nova companhia. Não espere o silêncio, a mensagem não respondida, a ligação não retornada. 

Aproveite enquanto as pessoas estão aí do seu lado. Se achar necessário, brigue, grite, diga o que não agrada. Mas isso deve ser exceção. A regra é: se você gosta, fale. Se você ama, demonstre. Se você quer, peça. Não deixe as coisas subentendidas, no silêncio. Parafraseando o escritor Fabrício Carpinejar, no acúmulo da poeira, as gavetas podem trincar. Cuide bem das suas.  


image,source: tumblr.com

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Para criança que um dia eu fui.


Uma criança não deveria ler coisas desencorajadoras e muito menos sentir-se triste, como você tem andado ultimamente. Esse silêncio fala muito alto para mim, pequena. Então, decidi lhe contar algumas coisas inspiradoras (outras nem tanto) sobre o seu futuro. Este, que eu vivi até hoje.

As coisas já são difíceis de aguentar aí, eu bem sei. Mas vamos ao que interessa. Essa força que você guarda dentro de você, fez morada eterna e só irá crescer, agradeça sempre. Em contrapartida, aqueles que foram embora, não mais voltarão no futuro, conforme-se.

A vida vai dar a você novas chances, novos caminhos e uma infinidade de descobertas só suas. Aproveite as sensações, jogue fora o que não servir e mantenha a sua fé, que, a medida que você for crescendo, crescerá com você.

Você terá muitas pessoas queridas ao seu redor, mesmo quando achar que não existe mais ninguém do seu lado. Aguente firme. Esses olhos tristinhos permanecerão com você por muito tempo, mas poucas pessoas irão enxergar. E tudo bem, você pode chorar perto das pessoas. Faz um bem danado. Descobri isso não faz muito tempo, mas você precisa saber logo. O mundo aguenta te ver sofrer.

Sua esperança vai ser a primeira que entrará em sua mala, assim como a paciência. E algumas vezes, quando você achar que não tem mais jeito, elas estarão lá, para te devolver a paz. Viva toda a sua estrada, ela será linda. Mas nem tudo é possível superar. A gente aprende a colocar de lado, enxugar o rosto e engolir o choro. Tem coisa também, que você nunca irá entender, apenas se conformar.

Você terá muitas experiências incríveis, amigos e momentos que valerão por toda a sua existência. E eu sei, você não gosta de falar sobre o medo, sobre problemas e sobre o caos que mora aí dentro. Eu entendo. O resto do mundo também.

Por mais que os seus sonhos pareçam frágeis, lute por eles. Por mais que você não seja muita coisa, continue de pé. E se tudo o que você planejou, der errado, tente sempre mais uma vez. E se a coisa ficar muito feia, lembre-se que há sempre um futuro. E eu estou aqui. Sou a prova viva que, de alguma forma, você sobreviveu.

Aproveite o seu tempo e nunca se esqueça: nada, absolutamente nada, é tão importante assim. 


image,source: weheartit.com

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Clichê.

Homens e mulheres são iguais. Comungam de sentimentos triviais, banais e de muitos, muitos clichês. O medo de não saber que decisão tomar, muitas vezes ocultado naquele sorriso amarelo de eu-sei-o-que-fazer. Sabe nada. Nunca sabemos. E perdemos horas, madrugadas e noites de sono, tentando entender o que realmente queremos.

Passamos a vida sonhando com a casa, o carro e um amor romântico. E quando conseguimos, a casa poderia ser melhor, o carro de outra marca e o amor romântico, de cinema e de preferência, que se pareça com aquele ator. Como é mesmo o nome dele? Nós perdemos nas banalidades sentimentais e tentamos racionalizar.

Onde já se viu, pensar sobre sentir? O que realmente queremos é prosseguir com a insatisfação crônica, pois só assim podemos reclamar nas redes sociais e em reuniões onde todo mundo se lamenta, do trânsito, do tempo, do jornal sensacionalista. Queremos sair para badalar – ainda que, por si só, a palavra badalar seja vazia de apelos e intenções – para, muitas vezes, forjar uma felicidade coletiva. Onde a grande maioria tem o olhar perdido, o copo meio cheio, roupas de grife e um papo chato, muito, muito chato.

Em contrapartida, queremos ter um namorado, mas não estamos dispostas a fazer concessões sobre que filme assistir, sobre a presença em reuniões familiares de domingo, muito menos ouvir, conversar, pensar a respeito e sobre o respeito. A preocupação maior nestes casos é de que diabos aquela pessoa no Facebook te adicionou, porque a sms não foi respondida antes e quantas fotos fazendo biquinho vocês irão tirar para exibir para tudo mundo o quanto a sua vida sentimental anda muito bem, obrigada.

Tudo muito chato e muito banal. Os relacionamentos andam tão vazios quanto o saco de Ruffles. E dão mais desgosto do que achar um rato no Baconzitos. Do que tanto temos  medo? Sofrer, nós já sofremos. A começar pela  nossa indecisão. De perder outras milhares de pessoas encantadoras que a balada oferece? A maioria, não passa de eventos chatos, com pessoas que dá preguiça até responder o próprio nome.  De estragar tudo? É um risco, que vale a pena correr. Viver por si só, já é arriscado demais. Mas se tem coisa melhor que a vida e suas peculiaridades, eu ainda não descobri.


image, source: weheartit.com