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terça-feira, 5 de maio de 2015

Legado.

Deixa que a vida leva. Que o tempo se encarrega. Que as feridas saram. Que o medo vai embora. 

Deixa que o relógio voa. Que a pressa passa. Que o pesado, um dia, fica leve. 

Deixa que a dor vai diminuindo. Que o amor-próprio vai aumentando. Que a fé na vida vai somando. Que o futuro vai surgindo. 

Deixa pra lá o que te deixou pra lá. Deixa pra amanhã a tristeza. Deixa pra depois o que não tem remédio. 

Deixa na mão do destino, que ele sabe o que faz. Deixa sua prece mais bonita para Deus, sempre vale a pena.

Deixa a experiência somar e o arrependimento sumir. 

Deixa a vida colorir o seu dia. Deixa o mundo te abençoar com o que você merece. 

Deixa o problema na gaveta que quando você voltar, já virou solução. 

Deixa o universo conspirar a seu favor. Deixa de lado a dor e leva seu sorriso pra passear. 

Deixe eles rirem. Tudo que vai, volta. 

Deixa o que não for pra ser ir embora e o que tiver que ficar, a gente ajeita. 

E se for amor, não deixa passar. 



quarta-feira, 5 de junho de 2013

Para quem acredita.


Fernando Mendes já dizia: “sorte tem quem acredita nela”, acho que essa verdade se aplica também para o amor. Sim, o amor. Aquela coisinha tão desacreditada nos dias atuais. Quando éramos crianças, nos ensinaram sobre contos de fadas e finais felizes. Aí a gente cresce e descobre que nesse nosso mundinho sobram propagandas bonitas e faltam vagas de emprego. Cadê todo aquele romance das historinhas meu Deus? Quem acredita, no final das contas acaba sempre encontrando. 

Conheço uma pessoa que viajou para a Europa e lá, entre belos campos floridos e um frio danado, encontrou alguém para amar. Eu não sei para você, mas para mim isso parece amor, digno de filme no cinema com pipoquinha e refrigerante a tiracolo. Aí você me diz, os homens não valem nada, as mulheres só querem saber de farra hoje em dia, e eu, mera ouvinte da vida alheia, vou ouvir e concordar... Em partes. O mundo tá cheio de gente querendo se apaixonar, gente capaz de juntar os menores cacos de um coração partido e transformar em algo bonito, que dá gosto de olhar e ver brilhar todos os dias.  
  
Você pode me dizer que não dá para acreditar em algo que traz dores, sofrimentos, mágoas e que às vezes briga, bate a porta e jura nunca mais voltar. E eu lhe direi: a vida é assim. Se fosse apenas a parte boa, não teria graça e muito menos aprendizado. Não teria emoção. Não iria encher os olhos e o peito de algo que nem sabemos explicar.

Amor é para quem acredita. Para quem dá a cara à tapa mesmo já tendo apanhado inúmeras vezes. Amor é para quem fecha os olhos e faz pedidos para as estrelas. Para quem acredita que lá no céu, em algum lugar, alguém cuida de você. Para quem vê no amanhã, possibilidades. Para quem vê no destino, mais que casualidades. Para quem acredita no futuro, no bem, no bater descompassado do coração, ou nas pernas que tremem quando ele se aquece. Amor é pra quem não subestima a própria alma e é capaz de se permitir viver algo extraordinário.

Se você me perguntasse algo sobre o amor, eu não diria nada disso. Diria apenas, que é algo que vale a pena. Se você já viveu um amor, nada do que eu diga será capaz de expressar o que você sentiu. Se ainda não viveu, eu não conseguirei dizer nada que expresse a grandiosidade dessa pequena palavra. O amor é quando duas pessoas se encontram do outro lado do planeta e conversam sobre bobagens e daí surge a vontade de ligar no dia seguinte, de se ver na semana que vem. Ou pode ser que o amor ande por perto, nas filas dos supermercados ou das lotéricas enquanto você perde tempo com seu smartphone.

Ele não marca data e nem hora para aparecer. Poderia descrever aqui, mil amores que aconteceram e eu tive o prazer de testemunhar e nem assim, você me entenderia. O amor é tão inesperado quando bonito. E cabe no espaço de tempo que você quiser acreditar. Eu acredito. Sempre. 



image, source: tumblr.com

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Sitcom


Se a minha vida fosse uma novela, eu seria uma protagonista desastrada, sorridente e com aqueles dois milhões de problemas equilibrados em uma calça 38. Tudo bem que ultimamente tenho assumido o papel de coadjuvante-melhor-amiga que dá conselhos sem nexo e vive acontecimentos no sense. Mas o fato é que eu cansei da minha trilha sonora nostálgica, dos pensamentos contínuos sobre os conflitos da vida moderna e de narrar tudo isso mentalmente. Porque a vida merece o título de espetáculo e não de novela que passa na emissora B. Por mais cenas indescritíveis, acontecimentos inesperados, personagens fora do contexto e falas e mais falas, escritas sem um pingo de filtro seletivo – da minha parte e dos outros. O meu espetáculo em particular, entraria para a categoria do sitcom. É uma comédia, porque eu faço dela assim. Não lamento mais erros passados, oportunidades perdidas, gafes e desastres. Eu morro de rir. Porque é nessa hora que o roteirista diz que a platéia vai achar cômico. E como eu sou a única espectadora em tempo real, faço jus ao roteiro. Sigo dando risada. Não encontro celular, chaves e passo dias tentando me encontrar. Não controlo a luz, o efeito e muito menos decoro a fala, mas aprendi a prestar atenção nos momentos mágicos do cotidiano. Não sei do roteiro, mas continuo com a mania de construir cenas futuras que eu talvez nunca vá viver. E sigo sorrindo. Todo sitcom que se preze, vale pela história de humor e pelo saco de risadas. E eu espero que dure muitas temporadas.

source, image: weheartit.com

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

See.

Quando ciclos se encerram, você sabe que é hora de seguir em frente. Os últimos tempos foram de muito trabalho, muito aprendizado, muito autocontrole e ainda mais experiências.  O que sobra de tudo o que a gente passa é o que chamamos de aprendizado. E não é fácil. De todos os desafios, o nosso maior, são os nossos demônios interiores. E alguns outros, que tem pernas e saem andando por aí. Mas de todo aprendizado, o maior e mais fantástico deles, foi o fato de eu descobrir, mais uma vez, que tudo é uma questão de perspectiva. Não dá para desistir do trabalho, só porque a carga é pesada. Não dá para desistir de chegar aos lugares, porque o trânsito não anda. Não dá para desistir das pessoas, porque uma delas foi ingrata. Não dá para desistir de enfrentar a vida, quando se tem 21 anos. E a cada dia, analisando as minhas próprias perspectivas, descubro um mundo novo no cotidiano das vistas opacas, me encho de esperanças e encaro o que tiver pela frente. Aprendo muito com os acontecimentos, experiências, observações e principalmente com as pessoas.  Hoje, posso dizer que vivi a melhor e a pior fase, dos últimos tempos. A pior, sob a perspectiva da amplitude de problemas e dificuldades, em várias áreas, que eu achei que não fosse capaz de superar, mas sim. A gente sempre se supera. E a melhor, sob a perspectiva, de que eu vivi momentos impagáveis, com pessoas de todas as classes, cores, credos e idades, ao longo dos últimos dias. Descobri um amor por pessoas desconhecidas que eu nunca pensei existir, um amor pela humanidade que vai além do que é explicável. Drummond, uma vez disse que “Não, meu coração não é maior que o mundo. É muito menor. Nele não cabem nem as minhas dores.”, eu concordo. Meu coração não aguenta metade das minhas dores. Mas cabe um amor maior que eu.

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sexta-feira, 18 de novembro de 2011

13 horas.


Sol escaldante. Trânsito quente. Carros, buzinas e o asfalto que parece não mais agüentar tanta pressão. E na alta velocidade, de repente, tudo para. E surge uma carroça. Inacreditável. Sinto pena do cavalo. Sinto pena do senhor que conduz. Olho para o semáforo e vejo o quanto ele ainda tem que percorrer para chegar ao seu destino. Definitivamente a imensa avenida que ele percorre não é o lugar onde pretende chegar. Sinto pena da moça ao lado do senhor que, numa tentativa quase que irônica, tenta se esconder do sol com uma folha de papel. O semáforo fecha. Sinto pena do senhor ao meu lado, com um sorriso otimista. Ou conformado, o que é pior. Tenho que desviar da charrete e a minha vontade é dizer, ei vocês, eu admiro muito sua coragem! De seguir em frente. Eu admiro muito que vocês estão fazendo aqui, nessa avenida ou nessa vida. Mas eu sigo em frente. Seja lá o que isso signifique. E ultrapasso a charrete. E aumento o rádio para ver se meus pensamentos se concentram em alguma música. Mas nada para de pensar aqui dentro. Nada para o sol escaldante e o trânsito quente.  Se tiver uma coisa que dói mais do que se sentir incapaz, é o fato de isso morar dentro da gente. E por mais que o senhor dos olhos tristes chegue ao seu destino, satisfeito, aquele olhar vai me doer bastante ainda. Porque a desigualdade é fardo de uma sociedade inteira, mas olhares tristes e cansados é que nos fazem iguais.

Source, image: weheartit.com


sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Por aqui.

Com o tempo eu aprendi muito sobre a paz de espírito, aquela que é possível até quando se tem um turbilhão de pensamentos desconexos. Essa paz tem nome, cara, silêncios e suspiros. Chama-se aceitação. E o fato de eu ter pouca, ou quase nenhuma, memória pouco tem a ver com isso. Eu falo sobre a sensação de aceitar tudo o que me acontece, as coisas boas, as ruins, as escolhas e aqueles fatos que não dependem da gente. Porque, com uma certeza quase que fervorosa, eu chamaria de fé, as coisas acabam por se encaixar no futuro. E isso é uma forma de paz. Tudo bem, que às vezes eu acho alguns dias doloridos demais, mas o fato de eu ter consciência de que tudo passa, e de que quanto mais cabeça fria, menos problema quente, faz com que tudo se ajeite no seu devido momento. Há coisas que não dependem de nós e aceitar isso, faz com que possamos passar pela vida de uma forma mais despreocupada e consequentemente, mais feliz. Posso nutrir todos os sentimentos possíveis em mim, mas sei que a minha paz depende da escolha deles. Para muitos, soa como um desinteresse súbito dos problemas, a fim de evitar o mundo cinza. Tudo bem, encare isso na opinião que julgar mais confortável.  Hoje, eu dou valor ao que eu tenho por dentro, sem super valorizar o que as pessoas dizem e o que me acontece. E isso, também é uma forma de paz.

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quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Memórias.


Dias de chuva trazem a nostalgia plena de tudo o que foi e do que poderia ter sido. Você se pega olhando pela janela imaginando todas as pequenas grandes realizações que construíram o momento presente. Tudo é seu. Suas felicidades e suas tristezas. Momentos difíceis e de superação. Tudo faz parte da sua história e nada ficou para trás. Se algum dia você pudesse contar a história da sua vida, o que você diria? Quantas chuvas na janela e tardes sol você pode contemplar? Quantas pessoas te fizeram sorrir e receberam de forma verbalizada sua gratidão? Quantas boas memórias surgiram após você achar que não conseguiria superar? Aquele velho clichê, o sol sempre nasce após a chuva. Mas e o que você irá fazer dessa oportunidade de começar de novo? Limpe as suas vidraças. Compre chás para os momentos tristes e deixe seu cardigã a postos. A próxima tempestade que virá, porque elas sempre vêm, será tão apreciada quanto uma noite estrelada. E tudo o que ela trouxer, no futuro será nostálgico e feliz. Por isso, não reclame da chuva e suas memórias, elas vão fazer parte das suas histórias de verão.