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segunda-feira, 16 de março de 2015

Claro.

Hoje, eu poderia ter usado o meu vestido mais bonito. Um branco, novo, que talvez nunca tenha saído do armário. Eu teria ido a uma festa em que as moças ficariam olhando para o meu vestido branco e os moços para minhas pernas. Não que o vestido seja incrível, apenas por que ele poderia cair bem em qualquer uma delas facilmente. E não que eu seja bonita, apenas porque eles olhariam para qualquer mulher que passasse por ali. E vocês me desculpem, mas eu tenho a maior preguiça dessa história de "qualquer". Qualquer bar, qualquer pessoa, qualquer dia, não serve. Pode ser que eu te cause cabelos brancos, que eu te dê nos nervos, que derrube meio mundo, vez ou outra, mas ainda assim, isso não é qualquer coisa. 

Todo mundo tem espalhado por aí, pelo menos dez opções diferentes, sejam elas de almoços, baladas, talentos, camisetas, ou pessoas. E nós, humanos, temos o péssimo hábito de mudar de ideia entre uma alternativa e outra. Mas algumas coisas nós deveríamos pensar melhor. Porque é nesse processo de escolha que entendemos a lógica da lei de ação e reação, a sensatez de tantos filósofos e a capacidade humana de superar os próprios instintos e usar a cabeça, de vez em quando. E também, de evitar dores desnecessárias.

Justo hoje, que o meu cabelo estava bonito, que eu passei um rímel incrível e que recebi ligações de diversos amigos diferentes, eu preferi estar em casa. A lógica disso, ninguém explica. É sábado e gente da minha idade, deveria chegar depois das quatro, ou antes do almoço estar na mesa. Deveria passar o domingo na cama, curando a ressaca, e não pensando em banalidades sentimentais. 

Eu, que estou com vinte e dois anos, mas na verdade tenho uns trinta e sete, deveria curtir a balada da noite regada a drinks, o dj do momento e uma eterna abordagem de pessoas desconhecidas perguntando o meu nome. Seria mais fácil, se eu já tivesse a idade da experiência que estes poucos anos de vida me proporcionaram. Seria mais fácil, se a balada tivesse mais bancos, porque minhas costas doem e se os drinks fossem feitos com a bebida que dizia no folheto da festa. Seria bem mais fácil se o dj do momento não se achassem a nova estrela da broadway e se as pessoas desconhecidas entendessem meu nome de primeira. 

A minha vida, seria muito mais fácil, se ao invés de discutir, a gente se colocasse no lugar do outro, e ao invés de defender nossas próprias vontades, tentasse entender a de quem está ao nosso lado. A minha vida seria muito mais fácil também, se ao invés de olhar para o meu vestido branco, as pessoas se interessassem por quem quer que seja, que não suas próprias dores, seus desejos, ou seus próprios umbigos. E eu seria mais fácil, se eu não fosse tão chata, ou estressasse as pessoas a ponto de clarear seus cabelos antes do tempo. 

Eu poderia ser de diversas outras formas, mesmo sabendo que meu nome não seria entendido na primeira vez em que eu te contasse. Eu poderia aceitar o título de qualquer garota e ir para qualquer bar. Eu poderia escolher melhor o lugar onde eu almoço, as festas que frequento, as roupas que visto e as pessoas com quem me relaciono. E poderia aprender a conviver com a velhinha dentro de mim e vez ou outra sair pra levar a mocinha jovem para passear. Seria muito mais fácil. Mas nunca é. 

image, source: tumblr.com



quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Aceitação.


Um dia eu quero aprender a mais difícil das artes, que envolve suor, lágrimas e muitos, muitos clichês. A arte milenar e pouco difundida, da aceitação. Aceitar tudo o que eu tenho e o que a vida me traz, com a mais extinta das virtudes: a paciência. Só a aceitação é capaz de aquietar a alma e a minha anda muito desinquieta. Quero aprender a tomar conta, vinte e quatro horas por dia, de viver bem, em paz. E aceitação envolve clichês velhos e batidos, como aquele que diz que eu só posso mudar a minha própria personalidade. Ou aquele outro, em que as pessoas dificilmente mudam. Nostálgico, clichê e a mais pura e cristalina verdade. E de tão comum, a gente quase não enxerga. Mas agora, eu pagaria para ver. Porque aceitar a vida requer paciência, mas envolve grandes aprendizados: sejam as coisas boas ou ruins, sempre crescemos, mudamos e seguimos em frente. E aceitar meus defeitos e qualidades, diz respeito a parar um milhão de conflitos internos e pensamentos que só me colocam para baixo. Enxergar possibilidades, aceitar limitações e poder caminhar adiante. Um passo por vez. Se a gente parar para pensar, esse é o bem maior que podemos fazer a nós mesmos e, por consequência, as pessoas que estão ao nosso redor. Ninguém controla a vida e aceitar as mudanças, traz um pouco de ar fresco à nossa realidade. Não adianta brigar, a última palavra é sempre dela, por mais que eu planeje. Fazer as pazes com o mundo requer esforço, boa vontade e muita superação. Aceitar a vida pode ser muito melhor, embora exija tempo.  Mas se você optar pelo aprendizado, já ganhou alguns instantes.

Image, source: weheartit.com

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

See.

Quando ciclos se encerram, você sabe que é hora de seguir em frente. Os últimos tempos foram de muito trabalho, muito aprendizado, muito autocontrole e ainda mais experiências.  O que sobra de tudo o que a gente passa é o que chamamos de aprendizado. E não é fácil. De todos os desafios, o nosso maior, são os nossos demônios interiores. E alguns outros, que tem pernas e saem andando por aí. Mas de todo aprendizado, o maior e mais fantástico deles, foi o fato de eu descobrir, mais uma vez, que tudo é uma questão de perspectiva. Não dá para desistir do trabalho, só porque a carga é pesada. Não dá para desistir de chegar aos lugares, porque o trânsito não anda. Não dá para desistir das pessoas, porque uma delas foi ingrata. Não dá para desistir de enfrentar a vida, quando se tem 21 anos. E a cada dia, analisando as minhas próprias perspectivas, descubro um mundo novo no cotidiano das vistas opacas, me encho de esperanças e encaro o que tiver pela frente. Aprendo muito com os acontecimentos, experiências, observações e principalmente com as pessoas.  Hoje, posso dizer que vivi a melhor e a pior fase, dos últimos tempos. A pior, sob a perspectiva da amplitude de problemas e dificuldades, em várias áreas, que eu achei que não fosse capaz de superar, mas sim. A gente sempre se supera. E a melhor, sob a perspectiva, de que eu vivi momentos impagáveis, com pessoas de todas as classes, cores, credos e idades, ao longo dos últimos dias. Descobri um amor por pessoas desconhecidas que eu nunca pensei existir, um amor pela humanidade que vai além do que é explicável. Drummond, uma vez disse que “Não, meu coração não é maior que o mundo. É muito menor. Nele não cabem nem as minhas dores.”, eu concordo. Meu coração não aguenta metade das minhas dores. Mas cabe um amor maior que eu.

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segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Esperança ou a falta dela.


Das coisas úteis que a vida me ensinou, uma das melhores foi: não arrume desculpas para seguir em frente com falsas esperanças. E não tem jeito, a gente só engana (e só se engana), quando quer. Eu tenho a nítida impressão de que todo mundo sabe disso. De que adianta ficar remoendo fatos e conversas? O que acrescenta pensar em todas as discussões e energias gastas em situações que, de tão banais, não deveriam nem existir?

Ficar alimentando coisas, pessoas, sentimentos e momentos que nada te ajudam, vai te manter nesse círculo vicioso do tédio. Caso, você esteja cumprindo alguma promessa, boa sorte. Como esse não é o meu caso, ando me preocupando bem menos (ou quase nada), com quem só se dispõe a falar de contas, perdas e imposturas. 

Não alimento esperanças alheias, sobre coisas que não tenho como cumprir ou não quero falar. Tenho como premissa básica, não fazer promessas. Tudo bem, eu me dispus a fazer doze favores para dez pessoas diferentes, mas dentro do meu próprio ritmo. Sem falsas esperanças. Alimentar no outro algo que você não pretende fazer ou pior, aceitar uma situação por puro comodismo, não é atitude que se preze da nossa geração moderninha, não é verdade? 

Economize-se, pelo seu bem e pelo próximo. Pare de dar desculpas e se desculpar quando não deveria. Só alimente esperanças com o que você realmente estiver com vontade de se comprometer. Falsa esperança é aquele “sim” forçado de quem vai pela opinião de todo mundo e fica com tédio por não fazer o que quer. Acredite se quiser o “não” também tem suas vantagens. E só aprende quem se assume dono das próprias escolhas e de tudo o que elas acarretam. O risco de ficar a mercê do acaso, geração moderninha, é coisa do passado.


Source, image: weheartit.com

sábado, 12 de novembro de 2011

Compartilhe.

Apesar de todas as coisas que dizemos ser importantes e fundamentais em nossas rotinas diárias, pouca coisa tem tanta substância assim. Falo de superficialidades. O carro do ano, a roupa da moda, o bar do momento tudo isso seria de total e completa irrelevância, se considerarmos que nunca estamos sozinhos, quando desejamos estas coisas. São as pessoas que estão com a gente nestes momentos é que nos impulsionam para frente. É claro, tem também o  fator insatisfação. Nunca estamos satisfeitos no momento presente e talvez nem no próximo. Mas isso nos faz seguir em frente, buscar algo que nem sabemos se existe. O que move o mundo e nossas vidas são as pessoas e nossa eterna falta de aceitação. A nossa vontade de querer algo que está no futuro, que não sabemos se fará diferença, é coerente, quando se considera o cansaço de acordar todos os dias em rotinas que nem sempre são fáceis. Estar insatisfeito nos faz levantar da cama e encarar o mundo cinza, buscar a superação de nossos próprios limites. E as pessoas, são aquelas com as quais dividimos nossas conquistas, carros do ano, lágrimas, sonhos e pipoca no cinema. Tem tanta coisa que julgamos não viver sem e às vezes, não damos o devido valor a quem nos faz querer seguir em frente. As pessoas deveriam ser gratas umas as outras. Só podemos seguir em frente se tivermos um motivo, uma razão e alguém para compartilhar isso. E se você pensar bem, são muitas as pessoas que te salvam todos os dias sem que você perceba. Há algo dentro de você que você queira muito? E alguém para compartilhar? Tem que ter.

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terça-feira, 8 de novembro de 2011

O peso da vida.


Ouvi uma história triste e pude perceber o quanto carregar uma vida é pesado. E tudo bem, o mundo é bonito, mas às vezes, quando eu escuto esse tipo de histórias, acho as pessoas solitárias e estranhas, com fardos pesados, que se tornariam mais leves se fossem compartilhados. E tem gente que parece nunca se preocupar com algo que não esteja dentro do seu próprio umbigo, que muitas vezes fica dias sem lavar no banho. Gente que prefere passar o domingo preguiçoso com um filme besta na TV e, ainda assim, reclama da ausência dos amigos.  Hoje eu estou distraída de mim mesma e desejo para todo mundo um dia assim. Não, não saia apontando o dedo por aí dizendo que fulano deveria ser mais educado e que o outro deveria rir mais baixo. Mas preste atenção a sua volta. Preste um pouquinho mais de atenção, e alguém vai contar a você uma história triste que vai acabar doendo. Embora doa, você vai pensar em umbigos, poses, posses e vai ver o quanto esse nosso mundo precisa de mais olhares ao redor. E tem muita gente de umbigo e alma cheia de sujeira, pronta para fazer você se sentir solitário e estranho. Então surge uma história que te permite manter a fé na humanidade. E você  descobre que carregar a vida tem o peso que você se dispõe a levar.

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sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Por aqui.

Com o tempo eu aprendi muito sobre a paz de espírito, aquela que é possível até quando se tem um turbilhão de pensamentos desconexos. Essa paz tem nome, cara, silêncios e suspiros. Chama-se aceitação. E o fato de eu ter pouca, ou quase nenhuma, memória pouco tem a ver com isso. Eu falo sobre a sensação de aceitar tudo o que me acontece, as coisas boas, as ruins, as escolhas e aqueles fatos que não dependem da gente. Porque, com uma certeza quase que fervorosa, eu chamaria de fé, as coisas acabam por se encaixar no futuro. E isso é uma forma de paz. Tudo bem, que às vezes eu acho alguns dias doloridos demais, mas o fato de eu ter consciência de que tudo passa, e de que quanto mais cabeça fria, menos problema quente, faz com que tudo se ajeite no seu devido momento. Há coisas que não dependem de nós e aceitar isso, faz com que possamos passar pela vida de uma forma mais despreocupada e consequentemente, mais feliz. Posso nutrir todos os sentimentos possíveis em mim, mas sei que a minha paz depende da escolha deles. Para muitos, soa como um desinteresse súbito dos problemas, a fim de evitar o mundo cinza. Tudo bem, encare isso na opinião que julgar mais confortável.  Hoje, eu dou valor ao que eu tenho por dentro, sem super valorizar o que as pessoas dizem e o que me acontece. E isso, também é uma forma de paz.

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domingo, 23 de outubro de 2011

Pode ser melhor.

A vontade de viver até a última gota e a insatisfação. Dois combustíveis que nos movem. A sede do que não provamos, os lugares que a gente ainda não conhece, os amigos que  faremos no futuro, a curiosidade do que ainda vamos descobrir. A vontade de viver, até não sobrar mais nada. De provar novos ares, cheiros, brisas, novos paladares, línguas, dissabores. Porque o ser humano quer sempre mais. Quer abraçar o mundo e salvar o dia. Quer fazer um milhão de coisas ao mesmo tempo e quer tudo isso, agora. Agora é o espaço de tempo em que ele não está satisfeito. Em que nós queremos mudar, mesmo que seja para estar insatisfeito em outra condição no momento seguinte. Ninguém ganha essa corrida, mas estar insatisfeito é uma maneira de ir em frente, dar a cara para bater. Estas duas sensações todos nós conhecemos bem. Eu tenho que tentar, tentar bastante, no fim não conseguir e tudo bem ficar insatisfeita. Amanhã ou depois eu tento outra vez, ou quem sabe mudo de ideia e resolvo fazer outra coisa. O que eu acho importante para todos nós é querer viver. Dar o máximo, nas coisas mínimas. E aceitar a condição humana, errante e falível, porque isso gera insatisfação que, por sua vez, te faz levantar da cama e tentar algo novo, algo melhor. Por isso, queira sempre a vida. Até a última gota. Até você achar que não aguenta mais. Até ficar insatisfeito. Agora sim, vá lá e mostre para o mundo que dá para ser alguém melhor.