A vontade de viver até a última gota e a insatisfação. Dois combustíveis que nos movem. A sede do que não provamos, os lugares que a gente ainda não conhece, os amigos que faremos no futuro, a curiosidade do que ainda vamos descobrir. A vontade de viver, até não sobrar mais nada. De provar novos ares, cheiros, brisas, novos paladares, línguas, dissabores. Porque o ser humano quer sempre mais. Quer abraçar o mundo e salvar o dia. Quer fazer um milhão de coisas ao mesmo tempo e quer tudo isso, agora. Agora é o espaço de tempo em que ele não está satisfeito. Em que nós queremos mudar, mesmo que seja para estar insatisfeito em outra condição no momento seguinte. Ninguém ganha essa corrida, mas estar insatisfeito é uma maneira de ir em frente, dar a cara para bater. Estas duas sensações todos nós conhecemos bem. Eu tenho que tentar, tentar bastante, no fim não conseguir e tudo bem ficar insatisfeita. Amanhã ou depois eu tento outra vez, ou quem sabe mudo de ideia e resolvo fazer outra coisa. O que eu acho importante para todos nós é querer viver. Dar o máximo, nas coisas mínimas. E aceitar a condição humana, errante e falível, porque isso gera insatisfação que, por sua vez, te faz levantar da cama e tentar algo novo, algo melhor. Por isso, queira sempre a vida. Até a última gota. Até você achar que não aguenta mais. Até ficar insatisfeito. Agora sim, vá lá e mostre para o mundo que dá para ser alguém melhor.

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