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domingo, 8 de janeiro de 2012

Vivemos esperando.

Vivemos esperando. Esperando que vai dar tempo, que vai dar saudades, que vai dar pé. Vamos esperando o telefonema, a hora passar e que os dias de caos fiquem para trás. Esperamos pessoas educadas, gentis e que entendam os nossos problemas. Esperamos que os nossos amigos vejam além da nossa aparência, da nossa mania de modernidade, das nossas risadas permanentes. Esperamos demais da vida, dos outros, do destino e esquecemos que tão importante quanto esperar, é fazer alguma coisa para construir aquilo que tanto se deseja. A vida quase sempre é barra pesada. Você espera que seu problema se resolva e que você encontre um pouco de sombra e água fresca, mas tudo o que acontece é você ver que tem mais sol logo a frente. E você se pergunta até onde isso vai? Quanto falta para aquilo que se espera? Será que vai dar pé? Saudades? Tempo? Tudo o que a vida ensina é que, por mais que você espere alguma coisa dela, você precisa levantar da cadeira e fazer alguma coisa. É impossível conhecer o amor da sua vida, se você não se dispõe a conhecer outras trinta pessoas que não serão seu par perfeito. Vale lembrar que a vida também espera muita coisa da gente. Espera que a gente cresça, amadureça e pare de reclamar quando ela se esforça e nos dá de presente a oportunidade de quebrar a cara e ficar mais forte no momento seguinte. A vida espera que você tenha coragem, vontade de viver, de errar e de aprender tudo o que ela teima em te ensinar. Espere sim, por uma vida melhor, por um mundo melhor e por um dia de sol. Mas antes, tenha determinação de lutar pelo o que acredita ser importante na sua vida. Tenha vontade de construir um mundo melhor, começando por você. E espere sim por dias de sol, contanto que tenha coragem de sair da sombra e se inspirar pelo brilho. E pela luz.

source, image: weheartit.com

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

É bonita.


Acredito que não podemos contar com milagres, embora eu acredite piamente neles. Quando você percebe quanto tempo passou e quantas pessoas e coisas ficaram para trás, você começa a perceber que a vida só concede milagres a quem trabalha duro. Ficar parada, olhando para o tempo e esperando que a vida traga o trabalho, o amor, a viagem dos sonhos só vai fazer de você uma pessoa com tédio demais e vida de menos. 

Acho muito importante a arte da entrega, de quando você abraça uma chance, ou talvez um projeto e deixa as coisas fluírem como devem. Aí sim, conte com a sorte e com todas as categorias de milagres. E reze. Reze muito.  Porque, como diria Vinícius de Moraes, A vida só se dá pra quem se deu. Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu. A beleza da entrega é tão gratificante, ou mais, que os milagres que a vida pode te oferecer. 

E ninguém melhor do que você para entender o valor da suas lágrimas que doem muito, mas ensinam bastante também. Temos que correr riscos. Temos que tentar, querer, buscar e quebrar a cara. Achar que vai dar certo, que você vai ser feliz. Temos que errar muito, para aprender mais ainda. O bonito da vida é isso. É desejar muito. Ter muitos sonhos, expectativas e principalmente esperança. Ter coragem de assumir um erro e continuar sorrindo, sabendo que o importante é o que você faz da sua vida, das suas ações.

 E sorrir mesmo que seja um riso triste, porque a gente sabe o quanto é difícil viver e é preciso muita coragem para carregar uma história, e tudo o que vem com ela, sozinho. Eu sou da turma do Vinícius que diz que “é preciso um bocado de tristeza, senão, não se faz um samba não.” Em algum lugar no meio do caminho, você descobre que essa tristeza é o que você tem de mais precioso. E então, a vida muda. Dessa vez, para melhor. 


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sexta-feira, 25 de novembro de 2011

O dia da tristeza.


Hoje de manhã indo para o trabalho a trilha sonora era Amy Winehouse. Eu fiquei triste por ela e por todos os semáforos que fecharam, prolongando a nossa tristeza sonora conjunta. E o sol estava quente. O típico sol de verão que tornam os dias absurdamente claros, mas que no fundo te mostram a proporção do quanto não se controla a vida. Você sai de casa com roupas de calor, de noite faz frio. E isso não tem nada de triste, mas a imprevisibilidade nossa de cada dia me abalou também. A tristeza do mendigo e do cachorro, ambos sujos e abandonados me deram uma tristeza maior ainda. Do tipo que você chora, sem saber a causa do drama. Todas aquelas conversas vazias do mundo virtual, todas as pessoas vazias do mundo real e todas as ações programadas com segundas intenções me deixaram tristes. Os comentários sobre a festa de amanhã, me deram um sono profundo. As reuniões, os trabalhos e a sms que eu tanto gosto, não tiveram graça nenhuma. Essas atendentes de loja que só te tratam bem porque você está bem vestida, me dão a real noção do quanto o nosso mundo anda uma loucura e tudo isso é demais para mim. E todas as luzinhas de Natal, Jingle Bells e festividades que se aproximam me entristecem. O pior dessa tristeza toda é que ela não é óbvia e muito menos convincente e sempre surge alguém para dizer que tem gente pior no mundo. Tem sim, com certeza. E isso me deprime mais ainda. A vida não é injusta, triste, ruim e nem nada disso. Mas ainda sim, anda meio difícil passar por ela ultimamente. 

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quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Todo dia.

Eu paro e fico pensando: como é que a gente dá conta da vida? Como, que além de ter uma vida caótica, querer abraçar o mundo, ter contas a pagar,ainda temos que ficar impecáveis? Eu trabalho o dia todo, há não sei quantos anos, e às vezes ainda durmo sonhando com a fatura do cartão e com as pontas duplas do meu cabelo.
 Meu carro é a minha segunda casa e passo um longo tempo encontrando todas as folhas, canetas, casacos e caixinhas de suco que ficam perdidos por lá. Trabalho, organizo meu carro, minha bagunça, faço faculdade, voluntariado, tento estar presente com amigos, família, cachorro, gato e quero comparecer a próxima festa, parecendo a Barbie.
Olhando assim, ninguém fala que eu fui dormir às 3 da manhã, porque tinha que terminar um trabalho da faculdade, organizar as ideias para uma radionovela e colocar o relógio para despertar mais cedo, para maquiar as olheiras que já tem vida própria.
Tenho que ligar para o meu pai e saber como ele está, comprar seu presente de aniversário, ouvir todas as notícias que minha mãe viu e precisa compartilhar, almoçar voando e ter paciência com o trânsito de cidade pequena, que tem carros demais. Corro do trabalho para a aula, da aula para casa, encosto no sofá e já são dez para a meia noite.
Fico embaixo do chuveiro, cronometrando o tempo que vou gastar na lotérica, que roupa vestir amanhã, se o tempo vai ser suficiente para abastecer naquele posto que os frentistas vão buscar o troco como se não houvesse amanhã e preciso marcar um café com as amigas. Minha operadora me envia mil torpedos com facilidades exclusivas, para mim isso seria válido se viesse com um dia de 32 horas. Comecei a ler 4 livros e tenho cerca de 11 email para ler. Preciso ensaiar um teatrinho para as crianças do voluntariado: com um atraso de três semanas.
O mundo está aí, cheio de mulheres frutas que estão no mercado em todas as estações, estampando revistas para homens e com dicas para as mulheres. Mas como diria a Martha Medeiros: "Mulherão é quem mata um leão por dia."Assino embaixo.


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terça-feira, 8 de novembro de 2011

O peso da vida.


Ouvi uma história triste e pude perceber o quanto carregar uma vida é pesado. E tudo bem, o mundo é bonito, mas às vezes, quando eu escuto esse tipo de histórias, acho as pessoas solitárias e estranhas, com fardos pesados, que se tornariam mais leves se fossem compartilhados. E tem gente que parece nunca se preocupar com algo que não esteja dentro do seu próprio umbigo, que muitas vezes fica dias sem lavar no banho. Gente que prefere passar o domingo preguiçoso com um filme besta na TV e, ainda assim, reclama da ausência dos amigos.  Hoje eu estou distraída de mim mesma e desejo para todo mundo um dia assim. Não, não saia apontando o dedo por aí dizendo que fulano deveria ser mais educado e que o outro deveria rir mais baixo. Mas preste atenção a sua volta. Preste um pouquinho mais de atenção, e alguém vai contar a você uma história triste que vai acabar doendo. Embora doa, você vai pensar em umbigos, poses, posses e vai ver o quanto esse nosso mundo precisa de mais olhares ao redor. E tem muita gente de umbigo e alma cheia de sujeira, pronta para fazer você se sentir solitário e estranho. Então surge uma história que te permite manter a fé na humanidade. E você  descobre que carregar a vida tem o peso que você se dispõe a levar.

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quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Seu dia.

Eu conheço crianças de todas as idades. Algumas tem a infância estampada no sorriso. Outra a mantém guardada no fundo do guarda roupa junto com extratos bancários velhos. Tem gente que não sabe o quanto se cresce, quando assumimos a potencialidade de ser criança. Você descobre mundos e possibilidades inimagináveis. Olhar o mundo  pelos olhos de uma criança é  aprender algo novo todos os dias, ver em cada dia a oportunidade de sorrir e se divertir. Quando se é criança, temos lá monstros no escuro e nossos medos do desconhecido. Em contrapartida, temos amigos eternos, imaginários ou não, temos joelhos ralados compensados pelas memórias dos bons momentos. Ser criança é viver como se o amanhã fosse muito distante e os dias muito curtos. Impossível uma criança mentir para você e não te contar com os olhos. Sua pureza e inocência são tão evidentes quanto sua fragilidade. O meu desejo para o dia de hoje (toda criança tem direito a um, mesmo depois de crescer) é quase uma súplica: cuide de sua criança interior. Dê a ela doces, uma frestinha de luz pelo medo do escuro, que seja, alimente-a com diversões e com muito, muito amor. O poder infinito é a recompensa.