Hoje de manhã indo para o trabalho a trilha sonora era Amy Winehouse. Eu fiquei triste por ela e por todos os semáforos que fecharam, prolongando a nossa tristeza sonora conjunta. E o sol estava quente. O típico sol de verão que tornam os dias absurdamente claros, mas que no fundo te mostram a proporção do quanto não se controla a vida. Você sai de casa com roupas de calor, de noite faz frio. E isso não tem nada de triste, mas a imprevisibilidade nossa de cada dia me abalou também. A tristeza do mendigo e do cachorro, ambos sujos e abandonados me deram uma tristeza maior ainda. Do tipo que você chora, sem saber a causa do drama. Todas aquelas conversas vazias do mundo virtual, todas as pessoas vazias do mundo real e todas as ações programadas com segundas intenções me deixaram tristes. Os comentários sobre a festa de amanhã, me deram um sono profundo. As reuniões, os trabalhos e a sms que eu tanto gosto, não tiveram graça nenhuma. Essas atendentes de loja que só te tratam bem porque você está bem vestida, me dão a real noção do quanto o nosso mundo anda uma loucura e tudo isso é demais para mim. E todas as luzinhas de Natal, Jingle Bells e festividades que se aproximam me entristecem. O pior dessa tristeza toda é que ela não é óbvia e muito menos convincente e sempre surge alguém para dizer que tem gente pior no mundo. Tem sim, com certeza. E isso me deprime mais ainda. A vida não é injusta, triste, ruim e nem nada disso. Mas ainda sim, anda meio difícil passar por ela ultimamente.
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