Eu tenho a maior pena de gente conformada. Gente que sequer questiona o clima, o trânsito, o barulho e a risada. Porque a vida, por mais louca e imprevisível que seja, tem sempre alguma surpresa para nós. E eu não digo isso porque encontrei a minha, estou longe disso. Mas acreditar que a qualquer momento o inesperado pode acontecer, traz um pouco de paz para os dias de caos. E por isso, eu sinto pena também de gente que desacredita do futuro. O tempo, esse senhor gentil, em algum momento da vida, vai sorrir para você. Pode ser daqui a cinquenta anos, ou doze dias. Não importa. Quando isso acontecer você vai perceber que esse senhor fez um bem danado para a sua vida. A maturidade e a experiência necessitam de tempo. E como isso é raro hoje em dia, eu tenho pena de quem se perde em relógios. O grande mistério da vida mora em quem vê na simplicidade de um sorriso, o inconformismo de buscar o seu próprio. O melhor de cada dia é aquele simples torpedo recebido no fim da tarde. A beleza mora logo ali, na fé de esperar por dias melhores. Em acreditar em algum propósito, ainda que desconhecido. A graça da vida é consultar os relógios para saber o que dá para fazer do dia, enquanto somos fiéis a nossa vontade de ser feliz.
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