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terça-feira, 25 de junho de 2013

De olhos abertos.

O problema do ser humano é esse. Não conseguimos ver o que está ao nosso lado. Só vemos a orquídea, quando ela murcha. Só vemos o pneu do carro, quando ele fura. Só vemos quanta gente querida está ao nosso lado, quando elas se cansam de não serem vistas e vão embora. Triste não é?

Mais triste ainda é quando as pessoas fantasiam com o que não está ao seu alcance e esquecem-se de ver o quanto a realidade é bonita. Ela sempre é. Nossas vistas é que estão cansadas e a rotina acaba por embaçá-las ainda mais. É mais fácil olhar pela janela e ver o quanto o piso do vizinho é mais bonito, o quanto a garota que te dá mole é mais interessante, o quanto o carro do amigo é melhor. 

Não vemos a vida como ela merece ser: bonita, colorida e cheia de coisas boas. Preferimos sonhar com uma grama mais verde, mesmo quando não cuidamos da nossa. Se você não cuida, a água, a esperança, a grama e o amor acabam por secar.

E agora me diz: vai continuar olhando para o lado ou vai tentar olhar mais para dentro? A vida tem mais graça quando você faz com que ela tenha. A responsabilidade é toda sua. Inclusive se tudo der errado. Não corra riscos desnecessários. A vida por si só já é imprevisível demais para andarmos tão distraídos. Não é porque você mente, que as pessoas acreditam. O fato de se calarem, não quer dizer que não saibam. Não é porque você se distrai que as pessoas não estão olhando para você.

A minha esperança na humanidade é que ela possa curar suas vistas cansadas, antes que o que mais importa não esteja mais ao alcance dos olhos. 


image,source: weheartit.com


segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Cômoda


O que eu mais detesto nas particularidades da nossa espécie é a mania de dar valor as coisas apenas quando elas estão acabando.

Não valorizamos os nossos amigos, até que a nossa conversa não passe da segunda pergunta superficial. Não valorizamos nossos pais, ou filhos, até que eles tenham partido, ou  mudado para outra cidade. Não valorizamos namorados, maridos, companheiros, até que alguém peça o divórcio. Nesse momento, invejamos os pinguins-das-galápagos que são monogâmicos e vivem felizes até que a morte os separe.

Fala sério, gente. Está mais do que na hora de mudar esse comportamento tão disperso. Por que só no fim? Qual o problema em dizer aos seus amigos o quanto eles são importantes, agradecer quando necessário, se desculpar na hora devida? Qual o problema de vocês pais, dizerem aos seus filhos o quanto se orgulham de suas conquistas, ou até mesmo um simples “eu te amo”? E vocês, filhos, já viram o quanto seus pais dão um duro danado para que vocês tenham tudo que suas mentes férteis podem querer? Já disseram obrigado, hoje? E o seu relacionamento? Você sequer troca mais de cinco frases com a pessoa que está com você? Dizer “eu te amo” só em datas importantes, como aniversário ou no Happy New Year? Fala sério, gente.

Então, eu vos digo, meus amigos: é melhor correr. Corre, cata os pedaços do chão. Cola, bem coladinho. Quem você tem ao seu lado, é tudo o que importa nessa vida. Não espere elas não estarem mais aí para dar valor. O que você compra, perde o valor em dois dias. O que você faz, tem mais valor quando dividido. Pegue um cobertor e vá cobrir o frio de quem está próximo a você.

Não é preciso mover montanhas. Gestos simples fazem diferença. Não fique aí sentado, porque um dia a saudade vai bater e você não vai poder ligar. Um dia, aquela piada que você adora, não terá graça para sua nova companhia. Não espere o silêncio, a mensagem não respondida, a ligação não retornada. 

Aproveite enquanto as pessoas estão aí do seu lado. Se achar necessário, brigue, grite, diga o que não agrada. Mas isso deve ser exceção. A regra é: se você gosta, fale. Se você ama, demonstre. Se você quer, peça. Não deixe as coisas subentendidas, no silêncio. Parafraseando o escritor Fabrício Carpinejar, no acúmulo da poeira, as gavetas podem trincar. Cuide bem das suas.  


image,source: tumblr.com

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

O mínimo.


 A gente nunca sabe quando vai ter uma oportunidade e quando poderá perdê-la. Não sabemos quando será a última vez, tão pouco a próxima. A vida é imprevisível e a sua beleza surge dessa inconstância.

Durma quando der vontade, mas esteja atento para acordar pra vida. Então vamos combinar desse jeito: A gente vive muito, se preocupa pouco. Fala o que der na telha, mas escuta sempre. Sente mais, desconfia menos e acredita que pode dar certo.

O que é para ser nosso, será. E se não for, paciência. Nada do que a gente faça irá mudar.
Cuide do que é seu hoje.  Do amanhã, pouco se sabe.

É como no Teatro dos Vampiros: e a primeira vez é sempre a última chance.
Todos os dias, pra mim, é isso aí.



image,source: tumblr.com

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Seu dia.

Eu conheço crianças de todas as idades. Algumas tem a infância estampada no sorriso. Outra a mantém guardada no fundo do guarda roupa junto com extratos bancários velhos. Tem gente que não sabe o quanto se cresce, quando assumimos a potencialidade de ser criança. Você descobre mundos e possibilidades inimagináveis. Olhar o mundo  pelos olhos de uma criança é  aprender algo novo todos os dias, ver em cada dia a oportunidade de sorrir e se divertir. Quando se é criança, temos lá monstros no escuro e nossos medos do desconhecido. Em contrapartida, temos amigos eternos, imaginários ou não, temos joelhos ralados compensados pelas memórias dos bons momentos. Ser criança é viver como se o amanhã fosse muito distante e os dias muito curtos. Impossível uma criança mentir para você e não te contar com os olhos. Sua pureza e inocência são tão evidentes quanto sua fragilidade. O meu desejo para o dia de hoje (toda criança tem direito a um, mesmo depois de crescer) é quase uma súplica: cuide de sua criança interior. Dê a ela doces, uma frestinha de luz pelo medo do escuro, que seja, alimente-a com diversões e com muito, muito amor. O poder infinito é a recompensa.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Vida Breve.


O mais longo problema da vida é que as pessoas se esquecem do quanto ela é curta. A brevidade da vida é tão evidente que chega a ser banal. E as pessoas tomam atitudes como se fossem durar para sempre. Não é a vida que é difícil, não é a vida que é dura, não são as divindades culpadas pelas pequenas tragédias cotidianas. Você é responsável pelo que te acontece. Tudo bem, tem coisas que realmente não dá para prever. Agora culpar o universo, Deus, ou quem quer que seja, por suas escolhas erradas, acredite: não melhora nada. 

O que se pode fazer é olhar sempre para frente, acreditar que dá para ser melhor. Que dá para escolher melhor. Que a vida tem jeito. E é breve. Tão breve que, pode ser que no momento seguinte, ela não exista mais. Você pode programar a sua semana, sua vida, sua aposentadoria, mas não pode prever quando tudo isso vai acabar. E como tudo isso vai acabar. O que se tem hoje é a benção do momento presente. E não sabemos se isso é garantia de alguma coisa. Se o que se faz hoje, vai render bons frutos no futuro. Mas o que dá para prever é que quanto mais passos você der para frente, objetivando algo melhor, algo maior, as chances de se perder pelo caminho são remotas. 

Você escolhe aonde quer chegar. Porque você define a sua estrada, à sua maneira, no seu ritmo, da sua forma. O privilégio de ter uma vida e de poder escolher o que fazer com ela é unicamente seu. E a responsabilidade, também. Por isso, dê o melhor que puder, seja lá o que estiver fazendo. Talvez as coisas não saiam como o esperado. Talvez você trilhe um caminho que nunca imaginou. Mas lembre-se o quanto a vida é breve. Que hoje pode não ser bom, mas amanhã talvez, quem sabe. Se eu pudesse te dar um conselho ele seria: acredite no bem e principalmente: não perca sua fé na humanidade. E, claro, desfrute do momento presente, da melhor forma que conseguir. Vale mais a pena do que você imagina.