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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Cômoda


O que eu mais detesto nas particularidades da nossa espécie é a mania de dar valor as coisas apenas quando elas estão acabando.

Não valorizamos os nossos amigos, até que a nossa conversa não passe da segunda pergunta superficial. Não valorizamos nossos pais, ou filhos, até que eles tenham partido, ou  mudado para outra cidade. Não valorizamos namorados, maridos, companheiros, até que alguém peça o divórcio. Nesse momento, invejamos os pinguins-das-galápagos que são monogâmicos e vivem felizes até que a morte os separe.

Fala sério, gente. Está mais do que na hora de mudar esse comportamento tão disperso. Por que só no fim? Qual o problema em dizer aos seus amigos o quanto eles são importantes, agradecer quando necessário, se desculpar na hora devida? Qual o problema de vocês pais, dizerem aos seus filhos o quanto se orgulham de suas conquistas, ou até mesmo um simples “eu te amo”? E vocês, filhos, já viram o quanto seus pais dão um duro danado para que vocês tenham tudo que suas mentes férteis podem querer? Já disseram obrigado, hoje? E o seu relacionamento? Você sequer troca mais de cinco frases com a pessoa que está com você? Dizer “eu te amo” só em datas importantes, como aniversário ou no Happy New Year? Fala sério, gente.

Então, eu vos digo, meus amigos: é melhor correr. Corre, cata os pedaços do chão. Cola, bem coladinho. Quem você tem ao seu lado, é tudo o que importa nessa vida. Não espere elas não estarem mais aí para dar valor. O que você compra, perde o valor em dois dias. O que você faz, tem mais valor quando dividido. Pegue um cobertor e vá cobrir o frio de quem está próximo a você.

Não é preciso mover montanhas. Gestos simples fazem diferença. Não fique aí sentado, porque um dia a saudade vai bater e você não vai poder ligar. Um dia, aquela piada que você adora, não terá graça para sua nova companhia. Não espere o silêncio, a mensagem não respondida, a ligação não retornada. 

Aproveite enquanto as pessoas estão aí do seu lado. Se achar necessário, brigue, grite, diga o que não agrada. Mas isso deve ser exceção. A regra é: se você gosta, fale. Se você ama, demonstre. Se você quer, peça. Não deixe as coisas subentendidas, no silêncio. Parafraseando o escritor Fabrício Carpinejar, no acúmulo da poeira, as gavetas podem trincar. Cuide bem das suas.  


image,source: tumblr.com

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Para criança que um dia eu fui.


Uma criança não deveria ler coisas desencorajadoras e muito menos sentir-se triste, como você tem andado ultimamente. Esse silêncio fala muito alto para mim, pequena. Então, decidi lhe contar algumas coisas inspiradoras (outras nem tanto) sobre o seu futuro. Este, que eu vivi até hoje.

As coisas já são difíceis de aguentar aí, eu bem sei. Mas vamos ao que interessa. Essa força que você guarda dentro de você, fez morada eterna e só irá crescer, agradeça sempre. Em contrapartida, aqueles que foram embora, não mais voltarão no futuro, conforme-se.

A vida vai dar a você novas chances, novos caminhos e uma infinidade de descobertas só suas. Aproveite as sensações, jogue fora o que não servir e mantenha a sua fé, que, a medida que você for crescendo, crescerá com você.

Você terá muitas pessoas queridas ao seu redor, mesmo quando achar que não existe mais ninguém do seu lado. Aguente firme. Esses olhos tristinhos permanecerão com você por muito tempo, mas poucas pessoas irão enxergar. E tudo bem, você pode chorar perto das pessoas. Faz um bem danado. Descobri isso não faz muito tempo, mas você precisa saber logo. O mundo aguenta te ver sofrer.

Sua esperança vai ser a primeira que entrará em sua mala, assim como a paciência. E algumas vezes, quando você achar que não tem mais jeito, elas estarão lá, para te devolver a paz. Viva toda a sua estrada, ela será linda. Mas nem tudo é possível superar. A gente aprende a colocar de lado, enxugar o rosto e engolir o choro. Tem coisa também, que você nunca irá entender, apenas se conformar.

Você terá muitas experiências incríveis, amigos e momentos que valerão por toda a sua existência. E eu sei, você não gosta de falar sobre o medo, sobre problemas e sobre o caos que mora aí dentro. Eu entendo. O resto do mundo também.

Por mais que os seus sonhos pareçam frágeis, lute por eles. Por mais que você não seja muita coisa, continue de pé. E se tudo o que você planejou, der errado, tente sempre mais uma vez. E se a coisa ficar muito feia, lembre-se que há sempre um futuro. E eu estou aqui. Sou a prova viva que, de alguma forma, você sobreviveu.

Aproveite o seu tempo e nunca se esqueça: nada, absolutamente nada, é tão importante assim. 


image,source: weheartit.com

domingo, 18 de dezembro de 2011

Veja melhor.

O mundo às vezes é um lugar onde um se acha mais esperto que o outro e este se acha ainda mais esperto que todos. Temos por aí uma infinidade de compras coletivas, de todos os gêneros. Mas será que alguém já parou para pensar que o individualismo está aumentando coletivamente? E sim, você foi enganado. E não, eu não me sinto culpado por isso. Você estava lá, com um ar de inocência: se não fosse eu, seria outro. E todo mundo se acha esperto demais. Popular demais. Correto demais. A permissão de errar chegou ao fim e hoje você não se dá sequer a chance de arriscar. E seguimos assim, nessa vidinha do almoce-na-frente-da-televisão. Enquanto isso a vida passa. O que anda faltando no mundo é amor. É entrega. É fé. É pagar para ver. Mas não. Somos todos bonitos demais, felizes demais, ricos demais para corrermos o risco de nos tornarmos mais humanos, mais amenos. Olhe para o mundo ao redor, tire o foco do umbigo. Olhe para o lado. Olhe e vê se aprende alguma coisa. Olhe para cima e acredite. Acredite em um amanhã melhor. Acredite e arrisque. Não sejamos tão frios e duros, cheios de sentimento que adoecem a alma. Pense mais com o coração. Sinta mais. Se entregue, agora. Faça o seu melhor. Escolha a pessoa que você quer ser hoje. Entenda suas limitações e permita-se errar e perder. Só conhece a grandeza de levantar do chão, quem já tropeçou por ele um dia.

image, source: weheartit.com

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Perda.

Estamos sempre preocupados, gerenciando todos os pequenos momentos da nossa vida. Cada palavra, frase ou expressão é pensada, analisada e discutida como se a vida dependesse disso. Defendemos nossas causas, criamos argumentos e lutamos até o fim, só para ter razão. E vamos construindo e destruindo laços. Ter razão serve pra quê, mesmo? Nos perdemos nos detalhes. Na palavra que não deveria ter sido dita. Na ligação que deveria ter sido repensada. Na falta de afeto. Nos perdemos pelo caminho: em nossas dores, tristezas, em nossas derrotas.. Perdemos o jeito de como dizer um oi de forma simpática.Perdemos a cada dia, o cuidado, o carinho. Estamos desperdiçando a oportunidade de estar aqui, de fazer mais, de ser mais, de cuidar do próximo. Estamos perdendo o contato, o feeling, o abraço e até mesmo a consciência. Tomara que a gente se encontre um dia. 

image, source: weheartit.com