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terça-feira, 25 de junho de 2013

De olhos abertos.

O problema do ser humano é esse. Não conseguimos ver o que está ao nosso lado. Só vemos a orquídea, quando ela murcha. Só vemos o pneu do carro, quando ele fura. Só vemos quanta gente querida está ao nosso lado, quando elas se cansam de não serem vistas e vão embora. Triste não é?

Mais triste ainda é quando as pessoas fantasiam com o que não está ao seu alcance e esquecem-se de ver o quanto a realidade é bonita. Ela sempre é. Nossas vistas é que estão cansadas e a rotina acaba por embaçá-las ainda mais. É mais fácil olhar pela janela e ver o quanto o piso do vizinho é mais bonito, o quanto a garota que te dá mole é mais interessante, o quanto o carro do amigo é melhor. 

Não vemos a vida como ela merece ser: bonita, colorida e cheia de coisas boas. Preferimos sonhar com uma grama mais verde, mesmo quando não cuidamos da nossa. Se você não cuida, a água, a esperança, a grama e o amor acabam por secar.

E agora me diz: vai continuar olhando para o lado ou vai tentar olhar mais para dentro? A vida tem mais graça quando você faz com que ela tenha. A responsabilidade é toda sua. Inclusive se tudo der errado. Não corra riscos desnecessários. A vida por si só já é imprevisível demais para andarmos tão distraídos. Não é porque você mente, que as pessoas acreditam. O fato de se calarem, não quer dizer que não saibam. Não é porque você se distrai que as pessoas não estão olhando para você.

A minha esperança na humanidade é que ela possa curar suas vistas cansadas, antes que o que mais importa não esteja mais ao alcance dos olhos. 


image,source: weheartit.com


quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Para criança que um dia eu fui.


Uma criança não deveria ler coisas desencorajadoras e muito menos sentir-se triste, como você tem andado ultimamente. Esse silêncio fala muito alto para mim, pequena. Então, decidi lhe contar algumas coisas inspiradoras (outras nem tanto) sobre o seu futuro. Este, que eu vivi até hoje.

As coisas já são difíceis de aguentar aí, eu bem sei. Mas vamos ao que interessa. Essa força que você guarda dentro de você, fez morada eterna e só irá crescer, agradeça sempre. Em contrapartida, aqueles que foram embora, não mais voltarão no futuro, conforme-se.

A vida vai dar a você novas chances, novos caminhos e uma infinidade de descobertas só suas. Aproveite as sensações, jogue fora o que não servir e mantenha a sua fé, que, a medida que você for crescendo, crescerá com você.

Você terá muitas pessoas queridas ao seu redor, mesmo quando achar que não existe mais ninguém do seu lado. Aguente firme. Esses olhos tristinhos permanecerão com você por muito tempo, mas poucas pessoas irão enxergar. E tudo bem, você pode chorar perto das pessoas. Faz um bem danado. Descobri isso não faz muito tempo, mas você precisa saber logo. O mundo aguenta te ver sofrer.

Sua esperança vai ser a primeira que entrará em sua mala, assim como a paciência. E algumas vezes, quando você achar que não tem mais jeito, elas estarão lá, para te devolver a paz. Viva toda a sua estrada, ela será linda. Mas nem tudo é possível superar. A gente aprende a colocar de lado, enxugar o rosto e engolir o choro. Tem coisa também, que você nunca irá entender, apenas se conformar.

Você terá muitas experiências incríveis, amigos e momentos que valerão por toda a sua existência. E eu sei, você não gosta de falar sobre o medo, sobre problemas e sobre o caos que mora aí dentro. Eu entendo. O resto do mundo também.

Por mais que os seus sonhos pareçam frágeis, lute por eles. Por mais que você não seja muita coisa, continue de pé. E se tudo o que você planejou, der errado, tente sempre mais uma vez. E se a coisa ficar muito feia, lembre-se que há sempre um futuro. E eu estou aqui. Sou a prova viva que, de alguma forma, você sobreviveu.

Aproveite o seu tempo e nunca se esqueça: nada, absolutamente nada, é tão importante assim. 


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sábado, 4 de fevereiro de 2012

É domingo.

Hoje é domingo e eu prometo não reclamar do sol quente e do telefone que não para de tocar. E por nada nessa vida, vou ligar a TV e esperar a vida passar junto com todas as atrações imperdíveis dos canais abertos. No domingo tenho ainda mais preguiça dos descontos, de lojas cheias, cinema com fila e casais que desfilam de mãos dadas pelos corredores dos shoppings, porque é só o que resta para fazer. Preguiça. 

Domingo é dia de ser leve, pelo menos para mim. É dia de pegar leve na dieta, na cobrança, nas preocupações. A segunda-feira existe para isso. Se preocupe, se desgaste, se canse na segunda. Domingo é dia de levar tudo menos a sério, acordar tarde, almoçar duas vezes e refletir sobre as desimportâncias da vida. Porque, cá entre nós, tem muita coisa desimportante supervalorizada por aí. Não seja uma pessoa que vai ao almoço de domingo em família e conversa mexendo no celular, que sorri sem mostrar os dentes e que nunca abraça ninguém e nem toma sorvete, pois está em um novo projeto verão. Pegue leve, é domingo. 

A simplicidade de um dia despretensioso como o domingo é o que me encanta. Velhinhos que passam o dia, sentados na calçada, só observando os carros e tomando um ventinho leve, representam a sensibilidade deste dia. O cachorro na pracinha, a criança de bicicleta, os amigos reunidos, sorrisos, beijos e abraços. Aproveite o gancho e dê um stop na vida. Eu sei que tudo isso é uma versão poética de um dia comum. Embora eu ainda acredite que o domingo tem a cara que você quiser.
Source, image: weheartit.com


quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Clichê.

Homens e mulheres são iguais. Comungam de sentimentos triviais, banais e de muitos, muitos clichês. O medo de não saber que decisão tomar, muitas vezes ocultado naquele sorriso amarelo de eu-sei-o-que-fazer. Sabe nada. Nunca sabemos. E perdemos horas, madrugadas e noites de sono, tentando entender o que realmente queremos.

Passamos a vida sonhando com a casa, o carro e um amor romântico. E quando conseguimos, a casa poderia ser melhor, o carro de outra marca e o amor romântico, de cinema e de preferência, que se pareça com aquele ator. Como é mesmo o nome dele? Nós perdemos nas banalidades sentimentais e tentamos racionalizar.

Onde já se viu, pensar sobre sentir? O que realmente queremos é prosseguir com a insatisfação crônica, pois só assim podemos reclamar nas redes sociais e em reuniões onde todo mundo se lamenta, do trânsito, do tempo, do jornal sensacionalista. Queremos sair para badalar – ainda que, por si só, a palavra badalar seja vazia de apelos e intenções – para, muitas vezes, forjar uma felicidade coletiva. Onde a grande maioria tem o olhar perdido, o copo meio cheio, roupas de grife e um papo chato, muito, muito chato.

Em contrapartida, queremos ter um namorado, mas não estamos dispostas a fazer concessões sobre que filme assistir, sobre a presença em reuniões familiares de domingo, muito menos ouvir, conversar, pensar a respeito e sobre o respeito. A preocupação maior nestes casos é de que diabos aquela pessoa no Facebook te adicionou, porque a sms não foi respondida antes e quantas fotos fazendo biquinho vocês irão tirar para exibir para tudo mundo o quanto a sua vida sentimental anda muito bem, obrigada.

Tudo muito chato e muito banal. Os relacionamentos andam tão vazios quanto o saco de Ruffles. E dão mais desgosto do que achar um rato no Baconzitos. Do que tanto temos  medo? Sofrer, nós já sofremos. A começar pela  nossa indecisão. De perder outras milhares de pessoas encantadoras que a balada oferece? A maioria, não passa de eventos chatos, com pessoas que dá preguiça até responder o próprio nome.  De estragar tudo? É um risco, que vale a pena correr. Viver por si só, já é arriscado demais. Mas se tem coisa melhor que a vida e suas peculiaridades, eu ainda não descobri.


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domingo, 18 de dezembro de 2011

Veja melhor.

O mundo às vezes é um lugar onde um se acha mais esperto que o outro e este se acha ainda mais esperto que todos. Temos por aí uma infinidade de compras coletivas, de todos os gêneros. Mas será que alguém já parou para pensar que o individualismo está aumentando coletivamente? E sim, você foi enganado. E não, eu não me sinto culpado por isso. Você estava lá, com um ar de inocência: se não fosse eu, seria outro. E todo mundo se acha esperto demais. Popular demais. Correto demais. A permissão de errar chegou ao fim e hoje você não se dá sequer a chance de arriscar. E seguimos assim, nessa vidinha do almoce-na-frente-da-televisão. Enquanto isso a vida passa. O que anda faltando no mundo é amor. É entrega. É fé. É pagar para ver. Mas não. Somos todos bonitos demais, felizes demais, ricos demais para corrermos o risco de nos tornarmos mais humanos, mais amenos. Olhe para o mundo ao redor, tire o foco do umbigo. Olhe para o lado. Olhe e vê se aprende alguma coisa. Olhe para cima e acredite. Acredite em um amanhã melhor. Acredite e arrisque. Não sejamos tão frios e duros, cheios de sentimento que adoecem a alma. Pense mais com o coração. Sinta mais. Se entregue, agora. Faça o seu melhor. Escolha a pessoa que você quer ser hoje. Entenda suas limitações e permita-se errar e perder. Só conhece a grandeza de levantar do chão, quem já tropeçou por ele um dia.

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