segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Sitcom


Se a minha vida fosse uma novela, eu seria uma protagonista desastrada, sorridente e com aqueles dois milhões de problemas equilibrados em uma calça 38. Tudo bem que ultimamente tenho assumido o papel de coadjuvante-melhor-amiga que dá conselhos sem nexo e vive acontecimentos no sense. Mas o fato é que eu cansei da minha trilha sonora nostálgica, dos pensamentos contínuos sobre os conflitos da vida moderna e de narrar tudo isso mentalmente. Porque a vida merece o título de espetáculo e não de novela que passa na emissora B. Por mais cenas indescritíveis, acontecimentos inesperados, personagens fora do contexto e falas e mais falas, escritas sem um pingo de filtro seletivo – da minha parte e dos outros. O meu espetáculo em particular, entraria para a categoria do sitcom. É uma comédia, porque eu faço dela assim. Não lamento mais erros passados, oportunidades perdidas, gafes e desastres. Eu morro de rir. Porque é nessa hora que o roteirista diz que a platéia vai achar cômico. E como eu sou a única espectadora em tempo real, faço jus ao roteiro. Sigo dando risada. Não encontro celular, chaves e passo dias tentando me encontrar. Não controlo a luz, o efeito e muito menos decoro a fala, mas aprendi a prestar atenção nos momentos mágicos do cotidiano. Não sei do roteiro, mas continuo com a mania de construir cenas futuras que eu talvez nunca vá viver. E sigo sorrindo. Todo sitcom que se preze, vale pela história de humor e pelo saco de risadas. E eu espero que dure muitas temporadas.

source, image: weheartit.com

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