Se fosse o seu conto de fadas, ele
não começaria com era uma vez. Sim, eu sei que você gosta de inventar
histórias, que tem enredo previsto e final feliz. Mas o que a gente faz com
esse final feliz? Você, muitas vezes morre de tédio, sabe disso. E esperar
tragédia romântica é pesado demais para quem tem emprego, cachorros, gato e uma
vida.
Sua história não teria castelo,
sapatinho de cristal, tranças longas ou maçã enfeitiçada. O seu conto teria
você, que não dormiu cem anos, mas um dia chega lá, de tanto praticar. Teria
uma bruxa, que na verdade é bruxo, que atende pelo nome de medo. E você não
seria nenhuma princesa que espera as duas últimas páginas do livro, para ter o
mínimo de felicidade. Você aprendeu a construí-la todos os dias, quando deixou
de lado as expectativas, abraçou o presente e parou de amar a próxima página
que não foi escrita, para amar sem pressa, o hoje.
O seu príncipe não seria um sapo,
não seria herói, mas um cara que te faz rir, caminha de mãos dadas e que,
quando acorda, é capaz de iluminar meio mundo. E fada madrinha da sua história,
a oração que você faz todos os dias, antes de dormir.
Ainda bem que você não ouviu
espelhos, não deu moral para anões e aprendeu a viver na realidade. Porque pode
até correr o risco de ver sua história terminar, afinal nada dura para sempre.
Mas se der para aproveitar o hoje, ter encantamento pela vida e construir boas
histórias juntos, já valeu a pena. O meu final feliz é a meia-noite. E amanhã
tem outro – sem o risco de virar abóbora e o relógio pode badalar o quanto
quiser.
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| image,source: weheartit.com |

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