Acho que a melhor coisa que
compartilhamos são os sorrisos. A gente ri junto, porque acha graça da vida, ou
talvez essa seja a nossa forma de ficar mais perto. Você é leve de espírito e
me dá uma vontade danada de ser igual. Mas eu penso demais, falo demais, quero
demais. Já quis tanta coisa na vida que quando tive, perdeu a graça, que aprendi a rir disso também. Você chegou bagunçando tudo,
nessa forma displicente de quem sorri bonito e se preocupa muito pouco. Eu, que
nunca quis ter nada, quis ter você.
O medo de que tudo perdesse a graça,
virou piada. Pela primeira vez, eu acordei no dia seguinte e quis que o
telefone tocasse, que alguém se importasse, que a gente escrevesse junto uma comédia romântica. Porque
eu não sei nada sobre o romantismo, mas achar graça das coisas, eu sei até demais.
Algumas vezes, o meu riso se transforma em
lágrimas, mas são poucos os que me veem assim, ou me fazem chorar. Você já viu,
já sorriu amarelo para minha cara de choro e me fez dar gargalhadas para esquecer, porque no
fundo, nada importa tanto assim. Eu consigo
ver que até aqui, a gente escreveu uma história feliz. Que o riso não contido e
a felicidade guardada nas poucas fotos que temos juntos é verdadeira. Sem
pensar muito, damos um passo atrás do outro e a gente brinca, que dá para ser
feliz hoje. Amanhã a gente vê depois, sem planos, sem pressa.
Talvez algum dia, a gente leve as coisas mais a sério e eu te dê um cachorro, sem o medo de que você vá embora e o leve
junto. Esse medo do tchau é de alguém que não sabe lidar
com isso, porque cresceu entre despedidas e não aguenta mais ver as pessoas
indo embora. Mas talvez, quem sabe, você queira ficar.
No fim das contas, a gente acha
que é amor. Porque a gente divide o sono, a preguiça, o ciúme disfarçado, as
conquistas, o refrigerante e o chocolate Alpino. A afinidade é expressa nos
sorrisos, comentários sobre a novela, o futebol, a festa e a música.
Talvez a
gente tenha uma história com trilha sonora bonitinha ao fundo, digna de cinema.
Ou talvez a gente se canse de tudo isso. O que eu sei é que hoje, você escreve mais um capítulo com
sua gentileza, seu cuidado, sua preocupação, sua mania de fazer gracinhas pra
eu rir e esquecer meus problemas. E as brigas, as discórdias e os
resmungos são pequenos, diante de uma amizade e de um gostar que só aumenta.
A gente sabe aonde cada um chegou
sozinho. Você aprendeu a se virar, a levar uns tapas da vida e seguir em frente,
a segurar a saudade e a entender que é preciso ir embora de casa, para entender
o valor desse lugar. Eu também. A gente sabe muito bem viver desacompanhado, sabe
que a vida pode ser cinza, e sabe também que pouca gente se permite sentir um
pouquinho de amor e resolver correr os riscos que vem junto. E nós resolvemos
arriscar uma história que pode parar em uma caixinha de lembranças com fotos
empoeiradas, ou em um álbum lindo para mostrar para os netos.
Para mim é um absurdo, uma pessoa
do riso tão bonito não sentir cócegas e para você, é um absurdo o quanto às vezes
eu dou risada de coisa besta. No fundo, tudo isso pouco importa. O que vale é o
hoje, em que a chance e a sorte sorriram para nós.
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