Me deixa sonhar aqui, vai. Não
custa nada. Eu já abrigo dentro de mim uma cabeça e um coração que não se dão
muito bem. Os dois dividem o mesmo espaço, compartilham perdas e ganhos, mas
não somam forças. E quem paga caro por isso, sou eu.
Deixa eu pintar minha casinha da
cor que eu quiser. Não estou pedindo juras de amor ou promessas para a
eternidade. Tudo o que levo, fui eu que construí. Desde a fundação das
esperanças, até o telhadinho com algumas ilusões penduradas. Banquei tudo
sozinha.
Não quero justificativas, desculpas.
Poupe-nos. Não há débitos pendentes da sua parte, mesmo com a quebra do
contrato. Vá, apanhe suas coisas e se precisar de ajuda, me avise. Tudo o que
ficar, guardarei com carinho. O que for meu e o que for seu também.
Não precisa dizer nada, não. A
culpa não é sua. Às vezes a casa fica pequena demais. Em outras, sobra espaço.
E como eu sei que a casa é humilde, não se preocupe não. O coração e a cabeça,
não se entendem, mas acabam por viver bem. E, como eu já disse, eu me banco
sozinha. Fecho a porta e bato no peito: tudo o que estiver aqui dentro eu consigo
carregar.
Pode ir, se quiser. A casa, o
sentimento e o coração, são simples, mas são meus. E você que nunca soube ter
nada, vai acabar na rua, procurando um lar.
![]() |
| image,source: weheartit.com |

Nenhum comentário:
Postar um comentário