quarta-feira, 22 de agosto de 2012

(a)manhã.


Acordo e vou até a cafeteira, coloco água gelada na xícara e bebo junto com café – nunca dá tempo de beber ele quente, já que acordo atrasada todos os dias.

A verdade é que eu acordo cada vez mais cedo e durmo cada dia mais tarde. Não entendo muito a lógica da vida, mas preciso seguir em frente, foi o que me disseram. Vou até o guarda-roupa procuro algo para vestir, mas tudo parece feliz demais, para o meu estado de espírito de quem acorda cedo e precisa trabalhar, entregar roteiros, cumprir prazos e revisar coisas.

A rotina às vezes é triste e eu me visto mal, talvez como forma de protesto. Já cheguei ao meu terceiro café e só consigo pensar que talvez aquela história de “A Insustentável Leveza do Ser” tenha de fato, muito sentido.

Dava para ser feliz essa manhã. O céu está lindo, o dia iluminado – embora eu passe meus dias em uma sala iluminada por lâmpadas incandescentes. Só consigo pensar em ser uma pessoa melhor. Mas eu raramente consigo acertar. Erro na displicência, na mania de falar demais e de não prestar atenção nos detalhes.

Talvez seja só um daqueles dias em que eu faço drama, fico carente e escuto um playlist deprê no carro. Talvez um abraço resolvesse tudo, mas nossas agendas são incompatíveis hoje. E além do mais, eu o ganhei várias vezes, ontem à noite, de alguém que tem um sorriso bonito que, assim como eu, tem dificuldades de acordar cedo e não precisa pentear o cabelo. Eu preciso pentear o cabelo, mas hoje eu não quero.  

Talvez seja só um dia em que eu não deveria ter levantado e esteja obcecada pelas coisas que eu queria fazer, mas a rotina me impede. Não chega a ser poético, mas já é alguma coisa. Eu sinto que quando a coisa transborda, eu escrevo para procurar um sentido no que eu ando sentindo. Mas agora me dê licença, eu vou seguir com a rotina, porque pretendo ir dormir cedo.

image, source: tumblr.com

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