sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Flash


Eu olho para o lado e acho as pessoas tão confusas. Todo mundo quer ser ponto de referência hoje em dia. Ninguém conta que acorda de mau humor, que tem frizz no cabelo ou que nunca assistiu uma temporada inteira de The Walking Dead. As pessoas levam duas horas para se arrumar, com uma maquiagem pesada que mal dá para enxergar o brilho nos olhos.

As pessoas não dizem mais coisas bonitas, umas para as outras, porque são modernas. Ninguém mais envia mensagens com músicas que fazem lembrar outras pessoas, ou sms com coisas doces, ou faz um elogio, porque hoje, o outro pode achar isso bobo.

 Hoje a moda é gastar muito em roupa de marca e menos em cérebro. Para mim, as pessoas que fazem joguinhos merecem um video game, não respeito.

Ninguém quer ser normal. Comprar pão na padaria perto de casa, pagar contas na lotérica, passar a sexta a noite em casa, assistindo as aventuras do Globo Repórter na África. Ninguém quer isso. As pessoas querem as tendências da primavera 2012, o filme que saiu no cinema e o hit do verão. Isso vende.

Fico me perguntando, qual o problema em perder a balada descolada? Qual o problema daquele chatinho de camisa polo que estuda engenharia, em ficar em casa mesmo que tenha tomado um pé na bunda? Homem chora, minha gente. Um amigo me contou. Ele promove baladas incríveis, numa cidade incrível, vive rodeado de mulheres lindas e chora quase sempre. E o mundo não vai acabar por causa disso.

Onde foi parar a simplicidade? Cadê todas aquelas pessoas que se importavam em agradar os outros? As moças que escreviam cartas perfumadas com letras bonitas? Os rapazes que ensaiavam declarações bonitinhas?  

Ora, cara Duany, o quê você queria? Que as pessoas relessem as mensagens no celular? Que saíssem nas ruas de jeans e camiseta branca? Que comessem cachorro-quente na praça? Que ligassem só para dizer que estão com saudade, no meio da tarde? Ajudassem crianças a atravessar a rua na saída do colégio?

Exatamente. Se algo assim não é lei, deveria ser. Se isso tudo é ser fracote, que seja. A simplicidade deveria ser premiada com estrelinhas, como no colégio, ainda que passe despercebida. As pessoas deveriam parar de vender imagens irreais, porque o preço é alto e o saldo nem sempre é positivo.


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