Não tenho mais quinze anos para
me dar ao luxo de chorar a noite, escondida no quarto, com direito a trilha
sonora cafona, que inspire as minhas dores intermináveis. Porque elas se
definem assim mesmo: intermináveis. Estamos aqui para isso, minha gente.
Agora se você não é mais jovem, ou
tem vinte e um anos, com uma preguiça de quarenta, se poupe. Aliás, me
poupe também. Sofrer só é bom para quem pode passar o dia em casa curando o
olho inchado, comendo coisas gordurosas e pensando besteira. O que não é o meu caso.
Depois que você sente essa
preguiça, você descobre que o sofrimento é mais espiritual, do que choro e
maquiagem borrada de novela. Não dá para dizer que é fácil, infelizmente.
Eu, cá entre nós, ando velha
demais para acumular dores pesadas. Decidi que só levo bagagem leve, de mão. É
assim: só sofro se tiver cinco anos a menos, para justificar a música cafona,
ou sete horas a mais no meu dia, para descansar o peso das dores que eu
carrego. Caso contrário, no thanks.
É aí que você percebe que nada
importa tanto assim. Uma coisa que não vale o disfarce das suas olheiras, não merece
o rímel borrando seu rosto tão bonitinho.
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| image, source: tumblr.com |

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