sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Desgaste


 Sofrer não tem mais graça. É clichê. E eu tenho uma preguiça enorme, daquelas que se você chegar perto contamina.

Não tenho mais quinze anos para me dar ao luxo de chorar a noite, escondida no quarto, com direito a trilha sonora cafona, que inspire as minhas dores intermináveis. Porque elas se definem assim mesmo: intermináveis. Estamos aqui para isso, minha gente.

Agora se você não é mais jovem, ou tem vinte e um anos, com uma preguiça de quarenta, se poupe. Aliás, me poupe também. Sofrer só é bom para quem pode passar o dia em casa curando o olho inchado, comendo coisas gordurosas e pensando besteira. O que não é o meu caso.

Depois que você sente essa preguiça, você descobre que o sofrimento é mais espiritual, do que choro e maquiagem borrada de novela. Não dá para dizer que é fácil, infelizmente.

Eu, cá entre nós, ando velha demais para acumular dores pesadas. Decidi que só levo bagagem leve, de mão. É assim: só sofro se tiver cinco anos a menos, para justificar a música cafona, ou sete horas a mais no meu dia, para descansar o peso das dores que eu carrego. Caso contrário, no thanks.

É aí que você percebe que nada importa tanto assim. Uma coisa que não vale o disfarce das suas olheiras, não merece o rímel borrando seu rosto tão bonitinho.


image, source: tumblr.com

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