Eu gostava
daquelas festinhas, com bolo de chocolate, balões, os amiguinhos em volta da
mesa, que não viam a hora de comer as balas e os docinhos. O meu olhar de o que
eu vou fazer com mais um ano nas costas, era abafado pelos desejos de parabéns
e pelos gritos do “com quem será”. Fazer aniversário era ter a cama repleta de
brinquedos só para você, quando o show acabava.
Pois bem,
olhe para hoje.
Hoje não há
balões, porque deixam os lábios ressecados na hora de encher. Não há velas que
acendem cinco vezes, se você fizer conchinha com as mãos, não há luzes e nem
aquela rodinha de amigos dançando a música da vez.
Seu
aniversário é celebrado através de e-mails dos mais distantes, sms dos amigos
mais chegados, conversas no MSN para decidir onde iremos comemorar. Recados de
diversas pessoas, te desejando tudo de bom, no Facebook.
E o abraço,
cadê?
Não há tempo
para balanço, porque você trabalha de segunda a segunda. E você, que já faz
isso há mais de duas décadas, cansou. Mais um ano para conta e às vezes você
desconhece a real vantagem disso.
Falta
um mês para a minha abençoada data, sem a glamorização da infância, uma pena. O
que te resta, é responder carinhosamente quem lembrou de você, ainda que o
Facebook colabore com a memória. Trate de se animar, comer uma pizza, sorrir e
atender as ligações.
O
tempo vai colocar um relógio na sua cabeça, 365 dias em suas costas e você vai
fazer um pedido, desses bem clichês. De ser feliz, ter saúde, amor, blábláblá.
E vai relutar contra festividades até o dia vinte e quatro, porque no dia vinte e
cinco, é dia de ser feliz. Mas a verdade, é que já sou feliz todos os dias. Nesse
dia, a gente fecha a porta para os 21 anos, abre para os 22 e torce para não
chover.
Porque
aniversário e plano para o futuro, requer muito sol: um dia para comemorar
junto, algo que é só seu.
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