Eu tenho vinte e poucos anos e todos os dias aprendo a levantar. Alguns dias eu consigo ficar de pé. Firme, como rocha. Em outros, como hoje, tudo o que eu quero é ficar no meu cantinho. Me deixe aqui. Me deixe só. Me deixe arrastar mentalmente certas verdades. Enquanto a chuva lava o mundo lá fora, deixe que a serenidade faça o mesmo dentro de você. Certas vezes a alma se cansa de aprender todos os dias como tentar ser firme. Hoje, não peçam ombros retos, batons estonteantes e animo de palhaço de circo. O maior esforço do dia, será para não ser notada.
Às vezes penso que o mundo é um paralelo onde as duas retas não se encontram nem no infinito. De um lado estão as suas durezas, sempre escancaradas, sempre martelantes, sempre presentes. Não há quem não tenha levado um tapa da vida. E eu, ultimamente, tenho levado fortes socos no estômago. Do outro, tem sorriso de criança, tem jujuba, tem gente de alma leve, tem sol e tem dia bonito. Em dias como hoje, essa linha dá um jeito de ser varal de alguém. Escondidinha lá no fundo do quintal.
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