O problema de gente como eu é a eterna mania de romancear tudo. Cabe em um roteiro, em uma cena, cabe na novela das oito. Eu tenho a péssima mania de olhar tudo por uma perspectiva de lições e aprendizados. Mesmo quando se trata de um diálogo banal escutado na padaria. Não que me falte realidade, não é isso. Ela me consome todos os dias em despertadores, prazos e preços. O que não quer dizer que as manchetes do jornal me agradem.
Coleciono dores que aos poucos vão se tornando menores, ou a minha memória é que vai ficando mais fraca. Sinto saudade de gente que esteve a vida inteira tão próxima e hoje, anda tão distante. Aquela menina que tinha a certeza de que talvez pudesse tudo, tenho pra mim que, morreu. Morreu jovem, ainda bem. Hoje, sei mais da humildade, da humanidade e de mim mesma. Não há vergonha em confessar sentimentos, dizer que ama e pedir perdão. Acho que aprendi isso, para nunca mais esquecer.
E continuo com a mania insuportável de querer que as coisas sejam boas, que o otimismo anime a minha história. E às vezes, dá vontade de quebrar os óculos das pessoas para que elas não enxerguem os meus defeitos e possam sempre me dar um abraço acalentador. Mas você já viu, agora, é rezar para que tenha compaixão. Afinal, somos humanos.
O que parecia doce para você, pode estar amargo em alguns dias, eu compreendo. Para mim, também é assim. E você olha pelo balcão e vê que há tantas possibilidades de sabores, embora o nosso pareça ainda mais interessante, você sabe. Eu sei, é drama da minha parte. Mas também é romance, compreenda.
Escrevo, inspirada no faz de conta, que talvez aconteça. E em alguns dias, tenho vontade de pedir ao tempo que suspenda a correria e fique mais um pouco. Mais um pouco de cama, de calma, um tantinho mais de alma. De beijos cheios de sorrisos. Pronto, duas linhas depois, volto a florear tudo, sem a menor cerimônia. É que ando meio entregue, compreenda. Mas prometo terminar com uma dose de pé no chão: eu sei que sou dramática, faço tempestade nas menores pocinhas d’agua.Enquanto a realidade teima em bater na porta, eu cismo em pular a janela.
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