Olho para o lado. Vejo vidas tão
confusas, quanto belas – assim mesmo, igual letra de música. Vejo gente
esquecendo o que é importante na vida. Olho mais para o canto e vejo outras
imersas em suas rotinas para não pensar tanto no caos que é estar aqui. E ao
centro, vejo gente querida, que tem andado para frente, enquanto deixa muita
coisa para trás sem nem perceber. Dolorido isso. Porque muitas vezes a gente
segue vivendo, sem pensar, sem olhar muito. Quando vai ver, nem sabe o que se
passa com quem estava logo ali ao lado.
Sobre estabelecer prioridades eu
sei bem. Sobre ser prioridade para os outros, quase não entendo. Não devo ter
nascido para isso. Enquanto isso, chego em casa e tiro meus tênis. Coloco-os
junto aos sapatos mais bonitos do armário. E sigo pensando que esse negócio de
se importar demais com os outros, talvez dê muitas dores de cabeça e outras,
maiores ainda, no coração.
E me pergunto, como é que se
arruma a vida em prioridades se a cada minuto aparece algo mais interessante. E
eu não sei ser interessante. Sou essa coisinha que fica por aí, meio ocupada,
meio relapsa, meio arrumada e com meio sorriso. Tem um mundo lá fora, mais
colorido, mais vasto, mais brilhante. Cheio de coisinhas mais felizes, mais
desocupadas, mais atentas e arrumadas. Esbanjando sorrisos. Em que ordem das
prioridades entra o coração?
Olho para o espelho e tudo o que
consigo ver, são os reflexos daqueles tênis velhos: olhos cansados, rosto
pálido e aparência cansada. E penso: se fosse prioridade fingir estar bem, você tomaria um banho e passaria duzentos quilos de maquiagem na cara. Mas como li
por aí uma vez, não existe maquiagem para a alma. Acontece que se fosse essa a prioridade, o
ser humano trataria de inventar.
![]() |
| image,source: tumblr.com |

Nenhum comentário:
Postar um comentário