quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Para trás.

image,source: weheartit.com


Será que com o passar do tempo vamos ficando menos poéticos? A vida tem o poder de fazer isso com a gente? Olhei pelo retrovisor esses dias e tudo que eu vi foi um tanto patético. Coisas romanceadas, histórias construídas em cima de tão pouco conteúdo. De tão pouco afeto.

Não quero acreditar que isso seja maturidade, porque sendo assim, todos nós chegaríamos a velhice como velhos ranzinzas e sem boas histórias para contar e Deus sabe, como eu quero contar histórias bonitas para os meus netos. Olhar pelo retrovisor pode ser bonito, pode ser ridículo, depende do lado que você olha. Será que vemos as coisas invertidas, quando ficam para trás?

Com o tempo, vamos deixando o exagero de lado, as dores vão sendo amenizadas. O que te irritava com tanta força, perde a força. O que você amava enlouquecidamente, pode até parecer loucura. O que você sentia muito, agora nem sente mais. De vez em quando, quando olhamos pelo retrovisor, parece que outra pessoa estava lá, em nosso lugar, fazendo besteira, se divertindo, sem nem pensar no amanhã. Uma sensação de acordei.

No futuro, quando eu olhar pelo retrovisor, quero encontrar histórias verdadeiras, com conteúdo que valha a pena botar no peito e levar para a vida. Quero ver afeto. Não desses comercializados, com corações e borboletinhas cafonas. Afeto de verdade. Quero limpar o espelhinho do retrovisor para enxergar nos detalhes, riqueza. Com toda a riqueza de detalhes. Se não for assim, meus caros, vale a pena seguir em frente?


“Retrovisor nos mostra o que ficou
O que partiu, o que agora só ficou no pensamento
Retrovisor é mesmice em trânsito lento
Retrovisor mostra meus olhos com lembranças mal resolvidas
Mostra as ruas que escolhi
Calçadas e avenidas
Deixa explícito que se for pra frente
Coisas ficarão pra trás

A gente só nunca sabe que coisas são essas.”

(Fernando Anitelli)


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