Acordei cedo, cedo demais. Às tontas, parece que peguei no sono há
cinco minutos e já é hora de despertar. De saída, chego ao portão que faz
barulho, como se estivesse zangado, por ter sido importunado tão rapidamente. O
dia está claro, a cabeça reclama a falta do café preto e a necessidade de
correr para o mundo, ainda que o maior desejo seja voltar logo.
Tenho um dia difícil para vencer – as horas passam, uma a uma. Em uma
tentativa de autoajuda, eu penso: tem gente linda na vida, que renova minha
alma, tenho uma família às avessas que é tudo e tinha o mundo ali, na minha
frente. O que mais eu poderia querer da vida? Nem eu mesma fazia ideia. Mas
alguma coisa eu queria, para que a minha perna parasse um pouco de tremer, se
desse.
Eu fiquei tentando racionalizar a cura para a minha mania de pensar
demais e acabei por pensar mais ainda. Na maior parte do tempo, fiz aquela cara
de bonequinho de MSN contente, mas no fundo, o mundo aqui fora me pareceu muito,
muito chato. Um fim de semana offline, onde a maior preocupação era sobre a
qualidade dos desenhos que eu iria assistir, ou conversas leves, sorrisos
despreocupados e pronto: a real life fica muito, muito pesada na volta.
E no fim das contas o dia será cheio, não há tempo para sentimentalismos.
E todo o raciocínio lógico, sobre pensar e sentir se perde – porque no fundo a
gente sabe que a vida é, obviamente, para se viver. Talvez um sms engraçado, ou
um e-mail de palavras doces poderiam melhorar as coisas. Ou uma conversa amiga,
com um vai-ficar-tudo-bem. Mas no fundo a gente sabe, que a única pessoa que
vai dar conta dos nossos problemas e aquela que passa a vida inteira do seu
lado: você mesmo. E aí talvez, as coisas passem a pesar menos e o dia fique
menos dublado.
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