A
pobre mulher acabara de completar 30 anos. No balcão do bar, pediu um drink e
seus olhos percorreram o ambiente. Tinha paciência para longas conversas com
estranhos, ria facilmente e dava de ombros quando questionavam sua postura. Por
fim, ia embora. Todos os dias a cena se repetia. O barman olhava a cena,
inconformado. Ela não era bonita, mas era interessante.
O
problema de seus trinta anos, é que ela achava que tinha ganhado o jogo. Mas tinha
mais umas doze fases pela frente, coitada. Ainda havia obstáculos a superar e
com sorte, chegaria ilesa ao final. Mas seu nariz era empinado demais e ela
ganharia o que o barman costumava chamar de tombo. Ia cair feio.
Em
algum momento, ia se cansar de tantos joguinhos e não iria querer mais brincar.
Mas a vida, pensava ele, por mais que pareça injusta, é justa até demais. Ela
receberia tudo de volta.
Enquanto
ela lhe pedia mais um drink, ele pensava que o problema de quem se acha
esperto, é esquecer que as outras pessoas podem não aparentar, mas estão vendo
toda a sua “esperteza.”. Ela se enganava, achando fazer todo mundo de bobo. Chegaria
um dia, em que alguém que ela passou para trás, lhe daria uma surra. E enquanto
colocava o gelo no copo, o barman riu ao lembrar que tudo que vai, volta. E na
mesma moeda.
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