sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Conto: aos trinta.


A pobre mulher acabara de completar 30 anos. No balcão do bar, pediu um drink e seus olhos percorreram o ambiente. Tinha paciência para longas conversas com estranhos, ria facilmente e dava de ombros quando questionavam sua postura. Por fim, ia embora. Todos os dias a cena se repetia. O barman olhava a cena, inconformado. Ela não era bonita, mas era interessante.

O problema de seus trinta anos, é que ela achava que tinha ganhado o jogo. Mas tinha mais umas doze fases pela frente, coitada. Ainda havia obstáculos a superar e com sorte, chegaria ilesa ao final. Mas seu nariz era empinado demais e ela ganharia o que o barman costumava chamar de tombo. Ia cair feio.

Em algum momento, ia se cansar de tantos joguinhos e não iria querer mais brincar. Mas a vida, pensava ele, por mais que pareça injusta, é justa até demais. Ela receberia tudo de volta.

Enquanto ela lhe pedia mais um drink, ele pensava que o problema de quem se acha esperto, é esquecer que as outras pessoas podem não aparentar, mas estão vendo toda a sua “esperteza.”. Ela se enganava, achando fazer todo mundo de bobo. Chegaria um dia, em que alguém que ela passou para trás, lhe daria uma surra. E enquanto colocava o gelo no copo, o barman riu ao lembrar que tudo que vai, volta. E na mesma moeda.            

image,source: www.tumblr.com

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