quarta-feira, 12 de setembro de 2012

A alma do negócio.


Trabalho o dia inteiro com propaganda, vendendo desde parafusos que não sei manusear, até restaurante que eu nunca sequer experimentei um prato de arroz. E eu amo muito tudo isso.

Mas o universo da propaganda, às vezes me entristece, quando uma marca incentiva o filho a ter vergonha do pai, a mulher que diz que a fila anda, o shampoo que diz acabar com o friz, com as pontas duplas e quase cura o câncer, refrigerante que acha que é serotonina pura.

Gosto de propaganda que desperta o amor de mãe e filho, que mostra bebezinhos de uniformes olímpicos, me dizendo para acreditar no futuro. Gosto de propaganda que diz que vale a pena investir nos bons momentos. Propagandas que dizem: o amor é importante, porra. E que censure o palavrão, é claro.

Nos comerciais eu quero sorrir, acreditar e me divertir. Aí quem sabe, talvez, comprar. Eu não quero prestações para o resto da vida, nem achar que a alegria está em um pote de creme, ou que o mundo é ruim, que a humanidade é um projeto que não deu certo e que isso é o que temos para hoje. Quer que embrulhe para presente?

 A televisão tem o dever de me fazer acreditar nas coisas bonitas, mesmo que eu nunca vá comprar o carro do comercial que me diz, que a melhor época da minha vida, é agora.

Enquanto existir gente por aí dizendo que a vida é bonita, mas pode ser linda, eu vou continuar acreditando no poder da propaganda. Um poder que não só vende um produto, mas espalha brilho nos olhos e muitos sorrisos por aí. Se isso não acontecer, está na hora de mudar de canal.


image,source: google.com

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