quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Chata.


Talvez a justificativa para tudo, é que eu seja fraca. Ou talvez, eu só odeie a distância mesmo. Ou ainda, a saudade me faz fraca, por causa da distância. Porque no fundo, a gente sabe que coração não é racional e pode fraquejar.

Eu corro o risco de parecer volúvel e acho bem chato esse negócio de parecer carente. Mas se tem coisa mais chata que isso, é a saudade.  Saudade é coisa que a gente lembra todo dia, mesmo quando quer esquecer.  Lembra sapato que machuca o pé: ninguém vê a bolha, mas ela está lá, dolorida como nunca.

É que eu acho um pouco chato, não saber se o cabelo da minha irmã cresceu. Um pouco chato, não saber se meu pai anda caminhando, como o médico recomendou. Chato não saber se a gatinha da fazenda deu a luz, como minha mãe me disse um dia. Chato não conhecer o novo namorado do meu amigo que mora longe, não saber se o tornozelo do meu namorado melhorou. E todo mundo acaba me achando chata. Porque eu preciso de certezas, para entender que está tudo bem, que está todo mundo bem.

A verdade é que eu sei muito bem viver sozinha, desde que as pessoas que eu gosto, estejam bem. Com suas vidas, trabalhos, amores. Aí sim, meu coração que não raciocina, pode bater tranquilo e eu chata, posso encontrar moral na história: remédio é amargo, mas cura. Saudade dói, mas aproxima. Escola é chata, mas ensina muito.  A vida adquire um tom apagado, para que a gente aprenda a usar cores mais vivas.

Eu não subestimo nem a minha chatice e nem a minha saudade. Porque eu sei o que é gostar de alguém, acima de cabelos compridos, das caminhadas, dos tornozelos doloridos ou de outras importâncias. Se há pedacinhos meus espalhados por aí, cada um deles, ajuda meu coração a funcionar aqui dentro – coisa que só quem tem amor e saudade pode construir. E por vocês, o meu nunca desiste. Por mais chata que eu seja, meu coração sabe esperar.


image, source: tumblr.com

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