Eu adoraria começar esse texto com uma frase reflexiva mais original, ou até uma mais comum, tipo Clarice Lispector, só que não. Poderia também iniciar com um trecho de música nostálgica e melosa, que eu tenho cultivado aos montes no meu playlist. Só que também não. Não quero causar a falsa impressão de filosofia, quando a verdade anda tão real e escancarada. Ando optando pelos dois pés no chão e a mente na realidade. O problema é conseguir me manter assim. Daqui a pouco lá vou eu colocar flores nos asfaltos e musiquinhas fofas para rodar. Perco o foco, o jeito, o rumo, sempre. Mas hoje eu escolho coisas, sentimentos, pessoas e vontades reais. Porque a gente cansa de querer o impossível, de almejar o irreal e quando paramos com isso, as coisas começam enfim a andar. Para frente, diga-se de passagem. Quando nós paramos de planejar o futuro, de querer fazer previsões mirabolantes e ilógicas, o futuro chega, cheio de coisas inesperadas, sejam elas boas ou ruins. E a vida só tem graça assim. A vida segue em frente e vai colocando cada coisa em seu lugar, empurra daqui, ajeita dali e quando vamos ver, muita água já passou por debaixo da ponte. Eu fico imaginando quanto tempo eu perco com playlists, frases e nostalgias. O que resta por hora, é seguir com menos, bem menos drama. Porque a gente cansa sabe? Cansa de se importar, de se preocupar, de dar valor, de estar presente. Ultimamente eu tenho optado pela alma leve e pela diversão. Porque eu tenho a maior preguiça desse negócio de ser sério demais, certinho demais, chato demais. E gente séria é certinha e na maioria das vezes, chata. Sendo assim, achei a paz de espírito que eu tanto procurava e estou sabendo lidar muito, muito bem com o desapego e a filosofia do não-me-importar. Não estou isenta de problemas, pelo contrário, tenho uma pilha deles na minha agenda com motivos florais. Mas a minha preocupação é igual a capa da agenda, bem superficial. Eu queria dizer que eu sinto muito, que eu vou quebrar a cabeça, procurando uma solução. Mas não é verdade. Eu nem sinto nada. Procurar solução demais dá ruga, olheiras e cansaço. Eu sei que tranquilidade, às vezes, beira o tédio. Mas se você olhar bem de perto, tranquilidade é a melhor forma de paz.
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