Essa é a época do ano em que ser feliz é mais que uma obrigação. Estamos todos bronzeados, felizes, cheios de energia, feriados, hits novinhos de duas frases tocando sem parar, Carnaval e muito, muito sol. Só hoje, caminhando na praia, eu olhei para trezentos rostos diferentes e desconhecidos e sequer pude notar a felicidade pura, em sua essência, nessa multidão de olhos que não sabem o que querem. Uma alegria um tanto, triste demais para o meu gosto. O Carnaval é a época do ano em que as pessoas reunem as saudades, apegos, desafetos e amores, guardam tudo em uma pasta e resolvem quando der. Para quê esquentar a cabeça com esse calor? É preferível estampar sua alegria inexistente e mostrar para todo mundo que você anda se divertindo demais, afinal o verão é para curtir, não é verdade? Não, não é verdade. Para onde vão todas as filosofias e sofrimentos nestes quatro dias? Ficam guardados até a quarta-feira de cinzas enquanto você desfila sua alegria angustiante? Sinceramente, anda faltando afeto, profundidade e consciência. E isso não pode surgir de uma ressaca moral, do cara que “pegou” dez em uma noite e agora resolveu mudar, quer algo sério. Que sinceridade há, em ser tão efêmero quanto uma folia? Mudar de ideia, faz parte do ser humano, mas ser conduzido por todo samba, aí é outra história. Pobres almas. Eu sei, isso parece conversa de uma tia velha, que cria gatos e come salsicha enlatada com pão amanhecido. Mas não é. Em quatro dias de um pseudo retiro espiritual, apesar do sol, do mar, da brisa fresquinha, ando percebendo que vale mais a pena pagar pelo sossego, pela reflexão, pelo respirar e seguir em frente. A vida é muito mais simples que a letra de axé que você aprendeu ontem. Quatro dias longe de casa, me fizeram ver o quanto a minha rotina é boa demais e a minha vida, melhor ainda. Quero pegar a estrada, quero um playlist lindo, quero colo, minha cama, meu gato, minha vida de volta. Carnaval dá uma solidão coletiva que só o amor que a gente encontra em casa preenche. E um conselho: não troque o que vale a pena para você por nada nesse mundo. Depois, fica difícil achar no meio de tanto barulho e tanto confete.

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