Só a título de curiosidade: qual
o motivo daquela mocinha lá no passado ter queimado o sutiã, mesmo? Reivindicávamos direitos, afinal a mulher de
antigamente queria expor sua opinião sobre algo. Mas em alguns pontos passamos
dos limites. Queremos ser mães perfeitas, filhas exemplares, amigas presentes,
profissionais incríveis e esposas impecáveis. Tudo isso, ao mesmo tempo.
Mas fala aqui para mim, que
mulher nunca quis uma geladeira autolimpante? Filhos autodidatas? Chegar no fim
da noite em casa na quarta-feira, e ao
invés de preparar comida e arrumar a casa, sentar lindamente e assistir ao
brasileirão? Dirigir sem alguém criticando, apenas por você fazer parte do sexo
frágil? Agredir o sujeito te criticou, por sua opinião forte? Vida de mulher
moderna não é fácil, meus amigos.
Eu sei que quase todo mundo já
falou de sutiãs queimados, mulher moderna, comida congelada, direitos iguais. E
olha que sei, que eu não havia nem nascido nessa época. Mas nesta tarde
ensolarada, bateu aquela revolta feminista que todo mundo sente de vez em
quando. Nada contra os sutiãs, pobrezinhos. Na verdade eles são ótimos.
Adoraria estar nesse momento em um shopping escolhendo algum com motivos
florais, na comodidade de um ar condicionado.
Você precisa trabalhar, estudar,
cuidar dos cachorros, do marido e dos filhos. Sua casa deve estar em perfeito
estado enquanto você enfrenta sua carga horária de reuniões e trânsito caótico.
E você que tem dificuldade de desempenhar tudo isso, pensa lá no movimento
feminista. Ah, se elas soubessem.
Me sinto como um sapo: posso nadar,
pular, andar, mas não consigo fazer nada direito. Tem dia que a gente acorda e quer pedir
demissão do cargo de mulher do século XXI. E nada de cumprir aviso prévio. Tenho
vontade de bater no celular todas as vezes em que ele me alerta para mais um
compromisso. E o faria, se celular sentisse dor.
Uma lista de tarefas que inclui reuniões,
planilhas, entregas de trabalhos, supermercado, acompanhar a Fórmula 1 e saber
as tendências de moda é, no mínimo, caótica. E com mais um bônus: dar conta da saúde
dos filhos, do dever de casa confuso, da tarifa do cartão de crédito que só
aumenta... Enfim, eu poderia ficar listando coisas até amanhã.
As mulheres de antigamente
aperfeiçoavam seus dotes culinários, faziam cursos de crochê, com a
franja estrategicamente penteada. Eu, humilde felizarda deste século, mal sei
cozinhar arroz, nunca me lembro de comprar tapete para a casa e meu cabelo vive
com um coque torto. Ah, se elas soubessem.
Acho lindas as histórias de
mulheres independentes e sei que é feio falar mal das queimadoras de sutiãs que
apenas lutavam por seus direitos. Sei também que meu legado é trabalhar como um
homem, juntamente com as atividades do lar da minha mãe, ainda que eu esteja
longe de arrumar uma família de comercial de margarina.
Desculpe o texto grande, o desabafo
e a pequena reclamação sobre o feminismo, mas é que tem dia que a gente acorda
e quer apenas ser uma alienada feliz. Que escolhe a cor do esmalte, ao invés do
congresso. Que escolhe entre salada de alface fresca ou de lindos tomates, ao
invés daquele lanche que você nem precisa descer do carro. É que o mundo
moderno às vezes exige demais, quando o que você mais queria, era falar sobre a
novela que passa na Globo a tarde.
Se você sabe do que estou
falando, pelo menos uma vez na vida já se sentiu assim. Caso não, leve na
brincadeira. Afinal, a gente não tem quer chata e moderninha o tempo todo.
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| image, source: tumblr.com |

Um comentário:
Adorei!!
Me sinto assim muitaas vezes. Já até cheguei a comentar: "pq aquelas mulheres tinham que queimar os sutiãs"? rsrsrsr mas no final é bom ser do sexo frágil, que de frágil não tem nada e quer viver mil e uma coisas ao mesmo tempo.
Parabéns pelo blog
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