segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Close.


Se a minha vida fosse um filme, eu estaria agora, sofrendo por um fato ocorrido no fim de semana, ou descabelada pela reforma na minha casa, ou ainda passando quilos de base, em virtude das minhas olheiras. Mas como esse roteiro é meu, eu prefiro uma rota alternativa. Porque quem já pensa demais, sente demais, tem mil problemas para resolver, tem no mínimo, mais o que fazer. Não dá tempo de ficar sofrendo aí, por coisas bobas que as pessoas inventam. O dia de hoje acontece só uma vez e você vai gastar seu tempo chorando arrastadinho no canto da sala? Eu não.

Se esta cena fosse parte de um roteiro, minha casa não estaria com metade do chão destruído, com uma porta sem vidro e com os ajudantes que só trabalham no fim de semana. O cenário seria clarinho, talvez estivesse chovendo e teria um lindo sofá cor de rosa para eu me sentar na sala, não na cozinha como eu estou agora. E meu sofá é marrom claro. Uma cena em que a personagem sofre, requer no mínimo um cenário cheio de dignidade para ela se reerguer no final do filme. A menos que o filme se passe no Iraque, é claro.

Se eu fosse uma personagem de filme, eu gostaria de ser aquela bonitona, poderosa, que só aparece com roupas incríveis, que tem uma trilha sonora de dar inveja a qualquer avatar. Mas eu sou mais o tipo feliz, distraída, desastrada e com aquela cara alegre que todo mundo leva na brincadeira. Mas em algumas cenas, aprendi a falar sério.

A verdade é que a vida, graças a Deus, não é ensaiadinha e nós personagens, podemos mudar antes que o filme desande, sem precisar deixar para ser feliz só no final. Entre páginas alegres e tristes, a gente pode sofrer o diabo, mas aprender a rir da vida. Pode se machucar na corrida e descobrir como é bom exibir as cicatrizes como troféus, lá na linha de chegada. E para não me achar uma louca em algumas partes, eu prefiro dizer que  tenho coragem. De assumir minhas atitudes, de me comprometer com quem eu amo e só, de passar perrengue e saber que tudo passa.

Se a minha vida fosse um filme, eu estaria agora andando por uma rua com um vestidinho floral com olhar perdido no horizonte e um cabelo bonito que só vendo. E eu estou aqui, nesse sofá marrom com uma televisão que é maior que a minha vontade de assisti-la, com um milhão de coisas na cabeça e uma tranquilidade, que eu descreveria nas palavras de Los Hermanos: “sereno é quem tem a paz, de estar em par com Deus...”. Mas a minha vida não é um filme. Ainda bem.



image, source: weheartit.com


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