quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Em paz.


 A morte é uma rasteira que a vida dá na gente. Um telefonema que te acorda na manhã de domingo, ou uma visita chata que chega sem avisar.  

Quando alguém cheio de vida e com um mundo todo pela frente, falece, eu prometo para mim mesma, que vou relativizar mais as coisas, levar a vida de maneira mais leve. Determino que vou parar de preocupar com coisas sem importância e parar de sofrer por antecipação por problemas que ainda nem chegaram.

Nem sempre funciona.

E aí, eu quero parar de me preocupar com a falta de exercícios, com a culpa dos meus atrasos de três minutos e parar de franzir a testa quando as coisas saem errado. Parar com conversas sem fundamento, parar com a minha autocrítica e com a minha autossabotagem. Quando isso acontece, eu quero parar de encher a paciência. A minha e a dos outros.

Eu poderia dizer que a vida é curta, mas seria muito clichê. Então eu digo a verdade: a vida é curtíssima. Todo mundo precisa de um final feliz. Fazemos o nosso papel, integramos um elenco, cada um tem suas próprias falas, mas o happy ending não dá para prever.

Sábado eu me diverti muito com as histórias de alguém, que hoje não está mais aqui.

Hoje eu não vou reclamar de nada nessa vida. Vou apenas olhar para o céu e agradecer por todas as pessoas que estão ao meu lado. Agradecer por não estar doente. Por ter mais um dia aqui, ao lado de gente querida e de poder viver este dia tão bonito e iluminado.

Quando alguém que estava aqui ontem, vai embora para sempre, você mais uma vez, acorda para a vida. Nando Reis já disse que "a vida é mesmo coisa muito frágil", a gente só não faz ideia do quanto.


image, source: tumblr.com

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