O cansaço hoje acordou comigo. Nem tomamos café quentinho com
torradas. A gente só engoliu o café frio, porque a cafeteira estava desligada.
Ele me apressou para sair logo, porque sente saudades de ficar. E eu contei
para ele que seu peso era muito grande, para meu manequim 38. Mas ele não
respondeu.
Hoje, mais do que qualquer dia, o cansaço não me deixou um
minuto sequer. Eu cansei de matar um leão por dia. Só por hoje, eu queria ficar em casa fazendo carinho no meu gato. Se não for pedir demais. Seus olhos azuis me encaram todos os dias
com saudade. E aí, achei que ele se manifestaria, nem que fosse para ser
indelicado, mas não. Ele apenas permaneceu em silêncio.
Não quero relógios digitais, obrigações e carregar tudo
dentro da bolsa, porque mal dá tempo de almoçar direito. Hoje, além do cansaço, a saudade do meu pijama, da Sessão da Tarde, do bolo de cenoura com cobertura
de chocolate, se fez presente.
Amanhã o
cansaço pode até vir comigo. Mas junto com o café, vou colocar duas gotinhas de
coragem, além das duas colheres de pó. Porque o dia hoje está difícil e talvez esteja
assim, por eu ter acordado muito frágil. E se as gotinhas não funcionarem,
coloco o café para ferver na coragem. E obrigo o cansaço a evaporar daqui, com o direito de permanecer calado.
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