Engulo
sapo, sim. Desaforos, sim. Descaso, não. Apesar disso, aprendi com
o conformismo. Tudo bem não ter apoio. Tudo bem a ausência, ser a única
presença. Tudo bem, as pessoas agirem de acordo com os seus princípios, ainda
que eles sejam diferentes dos meus.
Não
discuto discordâncias, prefiro entregar os pontos. E é nesse ponto, que eu
paro. Paro de inventar histórias coloridas e esperar respostas que nunca
chegam. Paro de querer entender o motivo de, às vezes, eu me sentir como um
cupim, no interior de uma mesa de ferro. Paro de contra-atacar o que não vai
mudar. Mas tem coisa que não muda: eu continuo tendo a mesma fé de sempre,
continuo a dar muito, muito de mim, em qualquer guerra. Ainda que eu receba muito
menos dos outros. Pra mim, cobrar afeto ou qualquer coisa, dói mais que um tiro
na perna.
A vida
é assim: travar lutas, que às vezes, são apenas suas. Mas não vale a pena
comprar brigas com você mesmo, que não pretende pagar. E quando você percebe
isso, para de levar as coisas na base do oito ou oitenta. Talvez o caminho do
meio seja mais coerente. Que me desculpe Sartre, mas o inferno não são os
outros. O inferno somos nós mesmos.
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