quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Só que não.


Quando eu não estou de acordo, eu não concordo. Simples assim. Medo do “não” eu não tenho. “Não” é a palavra que a vida mais gosta. Só para depois sorrir orgulhosa da gente, quando provamos que é possível “sim”.  Eu, já acostumada com a negatividade natural do processo, me nego a ser assim. Quero o “sim”. Quero assim.  Quero tudo, como quem nunca perdeu nada, tamanha a minha vontade de abraçar a vida.

A verdade é que, apesar de acostumada às divergências, não sei conviver com a discórdia. Em grande parte das vezes digo “sim”, quando o que eu deveria, era dizer “não”. Deixo a melodia tocar conforme a multidão e me conformo com sapatos apertados, que às vezes machucam tanto, que fazem até bolhas nos meus pés. Desta vez, quem disse “não”, bateu na mesa e bancou a discrepância, fui eu.

Pela primeira vez na vida eu comprei uma briga. Diga-se de passagem, uma que eu nem queria pagar. Uma guerra fria, onde eu fui refém do silêncio e fiz dele o meu contra-ataque.  Mas posso dizer que sempre foi assim. A diferença é que pela primeira vez, eu pude enxergar claramente quantas cicatrizes eu carrego desde os meus cinco anos. Embora eu saiba que delas é surge a minha força.

E nesse confronto, tudo o que eu fiz foi deixar os panos quentes de lado. Silenciosamente. Parei de me importar tanto, parei de achar normal a presença constante da ausência. Parei de chorar uma dor que me emociona até hoje, mas que nunca teve resposta. Assumi coisas que eu sempre quis ter e reconheci outras que eu nunca tive. E parei de tentar entender como as pessoas têm tanto amor para dar, mas economizam. Têm tanto o que fazer, mas se poupam. Têm tanto o que dizer, mas se calam. E eu, que sempre recebi tão pouco de volta, parei de insistir.

Mas nessa história de dizer “não”, nasci para ser diplomata. Não por ser um ser evoluído, mas por saber que discordar de alguém que a gente ama dói mais que um soco no estômago. Para não discordar, aderi ao silêncio. Ele fala mais alto que qualquer grito. Ecoa.

Fico aqui: sem expectativas, muda, dolorida. E a única resposta que eu queria ouvir, também silencia.  Nesse manifesto de dor, onde o que prevalece é a ausência de qualquer ruído, a vida segue. E eu, engulo o não, o medo, o choro. Um dia a vida vai sorrir orgulhosa de mim. 

image, source: weheartit.com

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