Tomo longos banhos de água fria
quase todos os dias. Geralmente eles são curtos, mas ensopam a alma, como se a
gente tivesse sendo afogado. E nessa frieza eu perco muita coisa, menos a sensibilidade.
Perco a vontade, perco o fio da meada, mas sinto na pele, no corpo e na alma.
Dolorido viver assim. Ver as
pessoas ao redor observando o mundo, naquele estado de anestesia. Onde foi que
o frio parou de doer? Quando foi que o morno se instaurou?
E eu tenho essa péssima mania de
ficar estagnada só esperando que a pessoa que está na minha frente jogue a
água, que quase sempre está gelada demais. Por que eu não corro? Por que eu não
grito? Por que eu nunca impeço?
Talvez esta seja minha forma de
sentir. E talvez um dia eu sinta muito.
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